Mercado Financeiro

Os investidores de risco ignoram a crise política brasileira, apostam na recuperação econômica e graças a manutenção do fluxo de entrada do capital estrangeiro, a bolsa de valores bate recorde de pontuação e volta aos níveis de 2008.

 

São Paulo - O principal índice de ações da bolsa brasileira atingiu nesta terça (12/09) uma nova máxima de 74.538, fechando em leve alta de alta de 0,3%. Mas, durante o pregão eletrônico, o índice superou os 75 mil pontos e especialistas já preveem há espaço para crescimento. 

Na Segunda, 11/09, a bolsa superou o patamar de 74 mil pontos e alcançou o seu melhor registro desde maio de 2008. Com o ritmo de alta embalado, o Ibovespa já acumula ganho de 23,7% no ano. Se continuar neste rumo será o segundo ano de bons rendimentos para os investidores de risco, já que em 2016 houve uma valorização de 39%. A recuperação do Ibovespa acontece após 3 anos amargando perdas, entre 2013 e 2015.

A crença na estabilidade da economia faz o capital estrangeiros voltar

Os investidores estrangeiros estão aumentando o volume de transações de ações na B3 continuamente há pelo menos 20 meses. O capital injetado pelos estrangeiros responde por cerca de metade do volume financeiro movimentado na Bovespa e esta participação tem sido uma forte contribuição para o avanço do índice. 

O histórico dos estrangeiros confirma que, mesmo sem o grau de investimento, perdido em setembro de 2015, quando a Standard & Poor’s rebaixou o rating do Brasil de BBB- para BB+, eles não deixaram de aumentar a sua participação nos negócios com a bolsa. Segundo dados da B3, em 2008, a participação deles era 35,5% no volume de compra e venda de ações. Nos dias de hoje, eles já respondem por 49,7% dos negócios.

Fonte: B3 - Inforgráfico GME HUB

No acumulado no ano até o dia 08/09, as entradas de capital externo para a compra de ações superaram as vendas em R$ 12,16 bilhões.

Analisando os dados da participação do capital estrangeiros versus o nacional, houve uma retração dos investidores brasileiros nos últimos 4 anos.

Já os investidores estrangeiros fizeram exatamente o contrário, e vem aumentando suas posições gradualmente desde de 2006. Nem a crise do “subprime” (crise de liquidez dos títulos imobiliários americanos) em 2008 e a crise fiscal de alguns países europeus em 2009, abalaram a vontade dos estrangeiros de investir no mercado brasileiro. Estas duas crises limitaram os ganhos nos mercados europeus e americano e fez com que o capital estrangeiro migrasse para o Brasil, que a época, tinha acabado de ganhar o seu “grau de investimento”.

No Brasil, a crise econômica e política teve início em 2011, logo após a reeleição da presidente Dilma Rouseff. A instabilidade ainda perdura, mas mesmo neste cenário de caos politico devido ao aprofundamento das investigações da Lava Jato e outras, o capital estrangeiro manteve o interesse nas ações pelo simples fato que, de forma geral, os ativos ficaram baratos. Vendo esta baixa, os estrangeiros aproveitaram para se posicionar e comprar papeis que estavam muito valorizados até o final do 2010.

Um segundo motivo é apontado para a manutenção da crença dos investidores estrangeiros: mesmo com a cúpula do governo e grande parte dos parlamentares do congresso mergulhados em suspeitas de crimes - muitos deles sendo amplamente investigados pelas autoridades Polícia Federal e Ministério Público, há um consenso que a economia está começando a dar sinais da recuperação gradual. Descolada do ambiente político, há uma expectativa que haja uma melhora dos resultado das empresas de capital aberto, e, consequentemente, a valorização das suas ações. 

 

Outros fatores positivos

O nível de liquidez internacional está elevado e as taxas de juros nos EUA, Europa e China e Japão ainda estão muito baixas. Ou seja, este cenário é favorável para a migração do capital para mercados com taxas de juros altas, como o Brasil. 

Remuneração em juros - A taxa básica de juros (SELIC) no Brasil, que é uma das mais altas no mundo, também é uma atração para o capital estrangeiro. Mas, ela está em uma trajetória continuada de queda, o que reduz a atratividade de aplicações em renda fixa, mais conservadoras, e aumenta a busca por ativos de maior risco, como as ações.

Dólar em queda – O dólar menos valorizado reduz o custo de importação de insumos e melhora as margens de lucros das empresas.

Reformas patrocinadas pelo governo. Mesmo com crise política, ainda há espeço para o avanço da agenda de reformas do governo Temer no Congresso.

Alta das Commodities – A recuperação do preço das commodities, especialmente a do petróleo e do minério de ferro no mercado internacional, impacta diretamente na valorização dos papéis de empresas como Vale e Petrobras.

A volta do número de investidores - O número de investidores pessoas físicas aumentou com consistência, passando de 564 mil no final de 2016 para 596 mil no final de agosto de 2017. Mesmo assim, o número segue inferior ao pico de 610 mil alcançado no final de 2010, época do "boom" de IPOs (Initial Public Offer ou oferta pública inicial de ações - sigla em inglês).