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Fundador do grupo e pai dos irmãos Joesley e Wesley, José Batista Sobrinho, 84 anos, volta a comandar os negócios da família após a prisão de seus filhos. Na bolsa, JBS perde R$ 1 Bilhão em valor de mercado

 

São Paulo - Em reunião ocorrida na noite de sábado (16/09), o conselho de administração da JBS aprovou, por unanimidade, o retorno de José Batista Sobrinho, fundador do grupo, à presidência da JBS. Conhecido como Zé Mineiro, Batista irá substituir o seu filho Wesley, que era o presidente global da empresa, está preso desde o dia 13/09, acusado de insider trading. 

Batista criou sua empresa em 1957, um pequeno açougue na cidade de Goiânia. Ele deu as inicias de seu nome, JBS, a pequena empresa que viria a se tornar nos anos 2000 - após a compra da americana Swift em 2007 - a maior companhia de carne bovina do mundo. Em meados de 2015, com a aquisição da Pilgrim´s Pride, ela se tornou a maior empresa global de processamento de carnes.

O BNDES, o maior acionista individual da JBS, ainda tentou colocar outros nomes fora da família para o cargo de presidente, a representante do banco de fomento no conselho, Claudia Santos, votou em bloco com os demais conselheiros.

O conselho também criou um time global de Liderança, que será responsável por assessorar Batista na tomada de decisões. Ele será composto por três executivos: Gilberto Tomazoni, André Nogueira e Wesley Batista Filho, que comandam algumas das principais áreas de negócios da JBS. Eles acumularão suas atribuições e as novas responsabilidades.

Na esteira das mudanças, o conselho de administração também determinou que a empresa contará com um novo CFO e a nomeação, como seu membro efetivo, de Aguinaldo Gomes Ramos Filho, executivo com experiência nas operações da JBS no Brasil, Uruguai e Paraguai, em substituição a Wesley Batista.

Na prática a empresa será administrada Gilberto Tomazoni, presidente global de operações, está na empresa desde 2013 e tem 30 anos em posições de liderança no setor de alimentos. André Nogueira está na companhia desde 2007. Antes de ocupar a sua função atual como presidente da JBS USA, o executivo foi CFO da mesma operação e presidiu a JBS na Austrália. Wesley Batista Filho era até esta data presidente da divisão de carne bovina da JBS USA, após ter ocupado cargos de liderança na JBS em cinco países desde 2010.

Em nota divulgada à imprensa, Tarek Farahat, presidente do conselho de Administração da JBS, afirmou: “Neste importante momento da empresa, a maior prioridade definida pelo conselho de Administração é garantir o sucesso do negócio e a prosperidade dos colaboradores, acionistas e todos os stakeholders”. Ele ainda acrescentou “A nova estrutura global de liderança oferece continuidade e preparo para os nossos novos desafios.”.

Batista declarou em nota: "Fico orgulhoso de reassumir a empresa que fundei". "Tenho muita confiança no desempenho da nossa liderança, em todos os nossos gestores e nos nossos 235 mil colaboradores."

Batista e seu trio de executivos, terão que liderar a empresa em tempos de desconfiança do mercado, em meio a execução de um plano de venda de ativos de R$ 6 bilhões e a renegociação para o alongamento do perfil da dívida global da empresa com bancos credores.

 

R$ 1 bilhão de perda de valor de mercado após o anúncio de Batista

A JBS perdeu quase R$ 1 bilhão de valor de mercado durante os negócios com suas ações na B3 nesta segunda-feira (18/09). Segundo dados Economatica, o valor de mercado da JBS encolheu para R$ 23,194 bilhões no fechamento do pregão, após as ações da companhia caírem 3,95% na bolsa. 

Na última sexta-feira (15), o valor de mercado da empresa estava em R$ 24,149 bilhões no encerramento da sessão e com o fechamento de ontem, a empresa valia R$ 955 milhões a menos.

A JBS ON recuou 3,95%, cotado a R$ 8,50 o papel, após o conselho de administração escolher José Batista Sobrinho como presidente-executivo.

A Baixa de ontem interrompeu a trajetória de valorização dos papéis da empresa, que ficaram baratos e atrativos após a mínima histórica que foi registrada após a divulgação das delações dos irmãos Joesley e Wesley e os executivos do grupo, que comprometeram o presidente Michel Temer.

No dia 22 de maio, o valor de mercado da companhia encolheu para R$ 16,317 bilhões. A empresa chegou a perder R$ 33,3 bilhões de valor de mercado logo após o episódio das denúncias, já que a máxima histórica foi registrada em 11 de setembro de 2015, quando a soma das ações da JBS atingiu R$ 49,66 bilhões em valor de mercado.

Em 2017, o acumulado de perdas de valor mercado chega a R$ 7,8 bilhões após o fechamento em 18/09, mas na primeira quinzena do mês de setembro, o valor de mercado da JBS ainda acumula R$ 491 milhões, segundo a Economatica.

A Bovespa continua na sua trajetória de altas, fechou em 0,31% nesta segunda, atingindo 75.990 pontos, batendo uma nova máxima histórica de fechamento.

Segundo analistas de vários bancos de investimento, a troca não traz nada de novo a direção da empresa e só afirma a posição de controle da família Batista no comando dos negócios da JBS. Inevitavelmente, este novo board não satisfaz a aguardada transição para uma diretoria composta por gestores profissionais independentes da família Batista, como quer o BNDES e os acionistas minoritários.