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Em menos de três dias no cargo de presidente, o fundador da JBS, José Batista Sobrinho, já ameaça o BNDES por expor a não predileção pela manutenção da família Batista no controle da empresa.

 

São Paulo – A JBS notificou na terça-feira, 19/09, através de carta direcionada ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ao BNDESPar (holding de participações do banco), informando que poderá tomar medidas legais contra ambos sócios após a observância das declarações proferidas pelo presidente do banco, Paulo Rabello de Castro, logo após o anúncio do novo board. 

A carta endereçada a Rabello, a JBS notifica que fará uma interpelação com medidas legais junto ao “Ministério Público, à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Poder Judiciário e à Câmara de Mercado da B3”.

Em seu conteúdo, a JBS cita a reprodução da entrevista concedida por Rabello à Reuters, na qual ele cita possível “malandragem” na reunião do conselho de administração da JBS, ocorrida no sábado à noite (16/09). Neste encontro, o conselho promoveu o retorno de José Batista Sobrinho, o Zê Mineiro, ao cargo de presidente-executivo da companhia, substituindo Wesley Batista, seu filho preso desde quarta-feira passada acusado de insider trading.

No dia seguinte ao anúncio, a JBS perdeu R$ 955 mi em valor de mercado após anúncio de Batista Sobrinho como novo presidente.

Segundo advogados especializados em direito societário consultados por GME HUB, isto pode ser o início de uma batalha judicial em vários teatros, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, ou ainda, em qualquer país onde empresa mantenha negócios. Basta algum investidor se sentir prejudicado pela má conduta administrativa dos gestores, que também são os acionistas majoritários (no caso a família Batista), para mover uma ação contra a empresa. 

O BNDES, que por meio do BNDESPar detém uma participação expressiva de 21,3%, sendo a maior acionista fora os controladores, em 15 de agosto, pediu abertura de processo de responsabilidade contra os Batista e outros ex-executivos da JBS por prejuízos causados à companhia.

Rabello já defendeu publicamente a saída da família Batista do comando executivo da empresa. Este movimento vem acontecendo desde que executivos da JBS fizeram acordos de delação premiada, nos quais admitiram ter corrompido mais de mil políticos, para que eles defendessem os interesses da empresa no Congresso e na presidência da república.  

Dois fatores foram crucias para que a guerra entre o banco e os controladores aumentasse de tom. A acusação que os irmãos Batista teriam usado informações privilegiadas para ganhar dinheiro no mercado financeiro, e acabou os lavando à prisão. E também o cancelamento do acordo de delação premiada de ambos também foi um grande motivador para a ira do BNDES.

Procurado, o BNDES ainda não se manifestou sobre a carta da JBS.