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Especialistas estimam que os prejuízos causados pelos furacões Harvey, que atingiu o Texas, e o Irma que devasta a Flórida, podem chegar a mais de US$ 230 bilhões. Governo do Brasil tenta resgatar brasileiros no Caribe

  

Nova Iorque e São Paulo - O primeiro furacão foi o Harvey, que dizimou partes do Texas e danificou o sudoeste da Louisiana quando atingiu a região no final do mês passado, destruindo bilhões de dólares de propriedade. Agora, o furacão Irma está rasgando a Flórida, depois de destruir diversas ilhas no Caribe. 

Foi a primeira vez na história contemporânea dos EUA que dois furações de categoria 4 (a segunda mais destrutiva na escala Saffir-Simpson, com ventos de velocidade entre os 208 e os 251 quilômetros) atingem o país.

Antes de atingir a Flórida, o furacão Irma estabeleceu novos parâmetros para a medição de força de destruição. O Irma, ainda quando estava no oceano Atlântico, atingiu 297 km/h, registrando um novo recorde de velocidade dos ventos para furações de categoria 5 (a maior classificação com ventos que atingem velocidades acima dos 252 quilômetros por hora). Ele se tornou a tempestade mais poderosa até então, mas perdeu força logo depois de inundar Cuba, passando a categoria 4.  

Estas situações de proporções catastróficas estão ficando cada vez mais frequentes, e segundo a empresa RMS, especialista em modelagem de mega-desastres, furações de categoria 5 podem ser tornar um padrão para o sul e sudeste dos EUA.

A grande questão que fica é quanto à população pode aguentar estas catástrofes e qual é potencial para causar sérios danos econômicos a cada passagem de furações. O que chama a atenção é que o intervalo entre eles está diminuindo.

 

O furacão Irma bateu o recorde de velocidade dos ventos: 297 Km/h. (foto:NOAA)

 

O custo bilionário e os efeitos negativos para a economia

Ambas as tempestades serão extremamente dispendiosas para a reconstrução das cidades, fora a perda irreparável de vidas. A RMS estima que Harvey causou entre US$ 25 bilhões a US$ 35 bilhões em perdas que serão cobertas pelo seguro. O dano econômico total, que inclui perdas não seguradas, pode chegar a US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. 

AIR Worldwide, concorrente da RMS, diz que Irma pode prejuízos em torno de US$ 15 bilhões a US$ 50 bilhões em perdas cobertas por seguros. No Caribe, o as perdas estimadas podem chegar a US$ 65 bilhões.

Há quem defenda que o custo do Irma pode ser ainda maior. Chuck Watson, um analista do grupo de pesquisa de desastres da Enki Research, disse que a situação ainda "parece muito incerta".

Watson estimou que o Irma pode causar US$ 172 bilhões em danos nos EUA, com base no caminho da tempestade a partir de domingo de manhã. Na opinião dele, a expectativa era de US$ 65 bilhões, de perdas seguradas, e US$ 40 bilhões de prejuízos que precisarão ser cobertos pelo Programa Nacional de Seguro contra inundações. Assumindo que a tempestade mantenha sua intensidade à medida que se move para o norte.

Ontem (10/09), o Irma atingiu Miami (500 mil habitantes) diretamente, mas mudou para o oeste e atingiu Tampa – com 370 mil habitantes - hoje pela manhã. É uma das regiões mais populosas da Florida, e segundo as autoridades estaduais, um terço da população do estado atendeu os pedidos de deslocamento para locais mais seguros. Foi o maior deslocamento emergencial ocorrido nos EUA atingindo mais de 6 milhões de pessoas.   

Pela ótica econômica, os danos as propriedades não é o maior problema deste tipo de catástrofe. 40% da Florida está sem energia, o que pode gerar danos aos estoques e segurança de patrimônio de inúmeras empresas. No Texas, o Harvey prejudicou o mercado de trabalho, simplesmente porque empresas inteiras não tem condições de operar. Na quinta-feira (07/09), o governo federal informou que na última semana de agosto, 62.000 pessoas a mais buscaram seguro-desemprego, principalmente no estado do Texas.

Já o Irma poderá agravar o problema do desemprego na região do ”corredor dos furacões” (Estados do Golfo do México, do sul e sudeste dos EUA). A Florida tem parte importante de suas receitas ligadas ao turismo nas cidades litorâneas, que geralmente, empregam muitas pessoas. Com a destruição da infraestrutura das cidades, hotéis, restaurantes e atrações turísticas, os prejuízos podem derrubar o crescimento econômico de curto prazo e consequente as vagas de empregos.

Entretanto, a economia geralmente é resiliente após desastres naturais. Há uma injeção de novos investimentos e os economistas preveem que qualquer mergulho não durará muito. O fato é que grande parte da reconstrução é subsidiada por pagamentos de seguros e ajuda federal, e geralmente dá impulso ao aluguel e a compra de novas propriedades em locais mais seguros.

 

Governo Brasileiro se mobiliza para resgatar e atender as vítimas no caribe

O Itamaraty informou neste domingo (10/09) que mandará um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para resgatar os brasileiros que se encontram na ilha de São Martinho, no Caribe.

São Martinho, no sábado (09/09) destruída após a passagem do furacão Irma. (foto :Departamento de Defesa Holandês) 

 

Estimasse que quando atingiu a regiões com diversas ilhas, o Irma estava na categoria 5 e causou uma devastação por outras ilhas do caribe. Até o momento, 28 pessoas morreram nas ilhas do Caribe, com registros nas partes francesa e holandesa de Saint Martin, nas Ilhas Virgens americanas, nas Ilhas Virgens britânicas e no arquipélago de Anguilla, em Porto Rico e em Barbuda.

Além de São Martinho, outras duas ilhas apresentam situação de crise com colapso total ou parcial da infraestrutura de transportes, comunicações e abastecimento: Tortola (uma das Ilhas Virgens Britânicas) e Turcas e Caicos (também sob a soberania britânica).

Até o momento, há registros oficiais de pouco mais de 60 brasileiros nessas três ilhas, cerca de 30 em Sint Maarten (lado holandês de São Martinho), 2 em Saint Martin (lado francês), 22 em Tortola e 11 em Turcas e Caicos.

O governo brasileiro também está em contato com o Reino Unido para coordenar a retirada dos cidadãos brasileiros em territórios britânicos, uma vez que a pista do aeroporto de Tortola não permite aterrissagem nas condições atuais.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores disse que vem monitorando diretamente a situação dos brasileiros afetados.