Internacional

Em jantar promovido por Trump em Nova York, ele diz que situação na Venezuela é 'inaceitável' e que medidas devem ser tomadas para restaurar a democracia no país. 

 

Nova York - O presidente Michel Temer participou na segunda-feira (18/09) de um jantar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e outros líderes da América Latina. 

Durante o encontro, Trump declarou que a Venezuela deve restaure sua democracia e que a situação no país é inadmissível.

A situação do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi o principal tema do jantar. Maduro está empurrando a Venezuela para uma autocracia, ao mesmo tempo que o país vive uma crise financeira sem precedentes, agravada essencialmente pela queda dos preços mundiais do petróleo. A Venezuela é um importante produtor de petróleo e fornece 10% do petróleo consumido pelos EUA.

Só este ano, Maduro repreendeu seus opositores políticos, prendeu manifestantes e implantou forças de segurança que mataram quase 50 pessoas em manifestações. Além disto, ele realizou eleições comprovadamente fraudulentas em julho e substituiu o parlamento do país por um conselho formado por seus seguidores e apoiadores. Este conselho está empenhando para reescrever a constituição e expandir poderes executivos de Maduro.

Trump deu sua opinião sobre a situação venezuelana: "A ditadura socialista de Nicolás Maduro tem infligido miséria e sofrimento terríveis ao bom povo daquele país. Esse regime destruiu uma nação próspera ao impor uma ideologia falida que produziu pobreza e desespero em todos os lugares onde foi experimentada".

"Maduro desafiou seu próprio povo, roubando poder de seus representantes eleitos para seu desastroso governo. O povo venezuelano está morrendo de fome, e seu país está entrando em colapso. Foi um dos países mais ricos do mundo por um longo período de tempo. E agora as pessoas estão famintas e o país está entrando em colapso. Quem pensaria que isso é possível? Suas instituições democráticas estão sendo destruídas. A situação é completamente inaceitável. Como vizinhos responsáveis e amigos do povo venezuelano, nosso objetivo é ajudá-los a recuperar sua liberdade", complementou disse o presidente americano.

Trump, em agosto, fez sua primeira referência a uma "opção militar" em relação a Venezuela, desde então nenhuma medida executiva foi tomada no sentido de uma intervenção militar.

Ainda ano jantar, Trump disse que os EUA terão que "tomar medidas importantes para responsabilizar o regime". Apesar das fortes palavras, ele evitou informações específicas.

Pouco depois da meia-noite, ele tweetou: "Chamamos a restauração completa da democracia e das liberdades políticas na Venezuela, e queremos que isso aconteça muito, muito em breve".

Foto: (reprodução)

O que Temer disse

Temer, ao sair do jantar, falou brevemente com a imprensa. Ele afirmou que houve uma "coincidência" de posições e que a pressão diplomática sobre a Venezuela deve continuar visando uma solução democrática. 

Ele disse que os países da América Latina e do Caribe querem manter o governo Venezuela pressionado. Entretanto, ele não mencionou se houve um acordou para a adoção de sanções contra o país. Ele afirmou houve um consenso que é preciso que se chegue logo a uma solução democrática para a crise venezuelana.

"Eu próprio relatei que recebi o (oposicionista venezuelano) Leopoldo López, tenho mantido os mais variados contatos, recebi a esposa dele, a mãe dele para revelar a posição do Brasil em relação à Venezuela, coisa que não ocorria antes, não é? E houve coincidência absoluta, as pessoas querem que lá se estabeleça a democracia, não querem uma intervenção externa, naturalmente, mas querem manifestações que se ampliem, a dos países que aqui estão para os países da América Latina, para os Países Caribenhos, de maneira a pressionar a solução democrática na Venezuela", disse Temer.