Internacional

Angela Merkel renovou o seu compromisso de comandar a Alemanha pelos próximos 4 anos, porém, ele enfrentará dificuldades para formar o governo e sofrerá com os radicais nacionalistas que voltam ao Parlamento alemão.

 

Londres - Neste domingo, 24/09, a União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU) da Baviera conquistaram 221 lugares, ou 32,9% dos assentos do parlamento, o que assegurou o quarto mandato consecutivo da primeira-ministra Angela Merkel. A coalisão de Merkel derrotou os socialdemocratas do SPD de Martin Schulz, que ficaram com 20,5% dos votos.

Agora, Merkel tem a difícil missão de formar o governo da próxima legislatura, buscar um ou mais parceiros para formar a maioria, já que SPD indicou que permanecerá na oposição, após quatro anos no governo.

Neste cenário, o SPD fica com 138 lugares e Schulz confirmou o partido não renovaria sua "grande coalizão" com a CDU. Segundo as palavras de Schulz, em seu discurso após a admissão da vitória de Merkel, a hora de reconstruir e reconquistar o terreno perdido começa a partir de hoje, já que o partido encolheu sua participação em relação a eleição anterior.

A vitória de Merkel já era esperada e não causou grande surpresa. No entanto, o Partido Alternativa para a Alemanha (AfD) roubou a cena, alcançando 13,5% dos votos.  O AfD é um partido de extrema-direita que defende a anti-imigração e após a eleição tem projetados 87 assentos no Bundestag, ou, parlamento alemão.

O AFD se tronou a terceira força no parlamento e se tornou o primeiro partido abertamente nacionalista a se sentar parlamento desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Alexander Gauland, um dos líderes do AfD, já declarou que o presidente americano Donald Trump é um modelo a ser seguido. Ele declarou: "Vamos mudar o país (...) vamos caçar Madame Merkel. Vamos recuperar nosso país". O parido tem como plataforma a Anti-imigranção, anti-Islã, anti-europeu e que adotar uma agenda revisionista.

Infográfico GME HUB (fonte: dpa-infocom)

O AfD promete quebrar o tom de antinazista que os governos alemães adotaram no pós-guerra. Isoladamente, o partido, que é relativamente novo, surgiu em 2013, terá bancadas maiores do que o partido de esquerda radical Die Linke, que ficou com 9% das cadeiras do parlamento, os liberais do FDP alcançaram 10% e os Verdes 9%.

 

Em Berlin, na festa da vitória do AfD em uma casa noturna, um grupo de manifestantes se postou do lado de fora gritando palavras de ordem contra o partido. "Não aos nazistas", "porcos nazistas", "Berlin inteira odeia o AFD" eram algumas das frases gritadas pelo grupo que estava sendo contido pela polícia.

 

Os grandes jornais da Alemanha colocaram em suas manchetes duas grandes interrogações: Se Merkel era culpada pelo avanço do AfD e como ela ia lidar com os extremistas no parlamento. Analistas do Der Spiegel e o Welt online afirmam que o crescimento da direita extremista está diretamente ligada a política de aceitação de refugiados que Merkel suporta. Isto motivou mais de 1 milhão de eleitores alemães, que geralmente não votavam, a fazer um voto de protesto contra as políticas de inclusão social e de imigração atuais de Merkel.         

 

A difícil tarefa de coalizão 

A CDU-CSU não alcançou o objetivo de 40% dos votos, o que garantiria a maioria para a formação do Governo.

Com a participação no parlamento de 32,5%, Merkel deve construir uma coalizão do CDU-CSU com os liberais do FDP e os Verdes. Mas, os dois partidos têm muitas diferenças em questões como a matriz energética de combustíveis limos   futuro do diesel ou a imigração.

As negociações podem se arrastar até o fim do ano e Merkel declarou que “deve formar o governo até o Natal”.

Infográfico GME HUB (fonte: dpa-infocom) 

A próxima coalizão liderada por Merkel terá grandes desafios internos e externos. Das questões internacionais, a reforma da zona do euro, as negociações do Brexit, futuro da relação com os Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump ou a questão das sanções contra a Rússia prometem dominar a agenda.

No ambiente interno, as grandes preocupações são a política de imigração e o reforça da segurança contra os ataques antiterrorista, já que a economia vive um momento de estabilidade e crescimento controlado.   

Merkel disse em seu discurso pós-eleitoral que a CDU esperava um resultado melhor e creditou o enfraquecimento da posição de seu partido à crise dos migrantes de 2015, que ela classificou como um "desafio extraordinário". Ela prometeu ouvir os eleitores do AFD e tentará reconquistar alguns deles com a "boa política".