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A festa acabou! O fundador da revista entretenimento adulto Playboy, Hugh Hefner, morreu de causas naturais aos 91 anos, na noite desta quarta-feira, em sua lendária mansão em Los Angeles na Califórnia.

 

Nova York - A confirmação da morte foi feita pela conta oficial da revista no Twitter. No post, o anúncio de sua morte veio acompanhado de uma de suas famosas frases sobre estilo de vida: "A vida é muito curta para viver o sonho de outra pessoa". 

Tweet na página de Playboy informando a morte de Hugh Hefner. (foto: reprodução)

 

Hefner era um empreendedor inconformado com a “caretice” do pós-guerra dos anos 1950. Ele criou a Playboy Enterprises em 1953, uma companhia voltada para o entretenimento adulto introduzindo ao público a publicação da revista "Playboy", que foi recebida com críticas dos mais conservadores, mas prevaleceu o excelente conteúdo que ia muito além da nudez feminina.

Com o sucesso da revista, Hefner migrou seus negócios para outros meios e apimentou o conteúdo também. Passou de a produzir outros filmes eróticos e de sexo explícito para televisão e internet.

Em comunicado oficial, Cooper Hefner, chefe de criação da Playboy Enterprises e filho de Hugh disse: "Meu pai viveu uma vida excepcional e impactante. Defendeu de alguns dos movimentos sociais e culturais mais importantes do nosso tempo, na defesa da liberdade de expressão, dos direitos civis e da liberdade sexual". "Ele definiu um estilo de vida", acrescentou.

 

Hefner e a criação do seu império a partir da revista Playboy

Tida como uma das marcas mais famosas do mundo, a revista Playboy, lançada em 1953, foi um divisor de águas entre o conservadorismo religioso e a necessidade de liberdade de expressão sexual que era reprimida nos Estados Unidos do pós-guerra.

Hafner levantou dinheiro, em torno de US$ 8.000,00, para produzir a sua primeira publicação de conteúdo liberal, a revista “Stag”. Por um conflito de interesses com outra publicação de mesmo nome, Hefner mudou o nome para Playboy e a partir daí a publicação iniciou sua caminhada de disruptiva para inspirar e divulgar a "revolução sexual" dos anos 60 e 70.

Hefner ousou em publicar fotos de mulheres nuas, mas para não se tornar mais uma revista do submundo erótico da época, ele aliou conteúdos diversos e de extrema qualidade, publicando colunas e pequenos contos de diversos escritores renomados, como: Arthur C. Clarke, Ian Fleming,  Vladimir Nabokov,  Saul Bellow, entre outros.

A revista promoveu entrevistas históricas, como a de Martin Luther King, que também era um símbolo de desbravamento dos diretos humanos e liberdade. Revelou o lado descontraído do presidente dos Estados Unidos, o democrata Jim Carter; e sempre deu espaço para os grandes artistas com opinião, como John Lennon.

A revista sempre teve como bandeira o estilo de vida hedonista, ideias politicamente liberais, costumes caros e o sexo recreativo.

O primeiro número de Playboy trouxe ninguém menos que o maior ícone sexual de sua época. Marilyn Monroe estreou uma das capas mais disputadas pelas belas atrizes, modelos, cantoras e mulheres que simplesmente são bonitas. Também foram capas da revista: Barbara Streisand, Charlize Theron, Madonna e Farah Fawcett nos EUA. No Brasil: Xuxa, Monique Evans, Luma de Oliveira, Bruna Lombardi, Vera Fischer e Luiza Brunett foram algumas das beldades que estamparam a Playboy.

Marilyn Monroe na primeira edição de Playboy. (foto: Playboy.com) 

Nas décadas que se seguiram, Hefner construiu um império a partir da revista, que chegou a ter uma circulação nos EUA de 5,6 milhões de exemplares em 1975.

Nos anos 1960, Hefner criou o Playboy Club, que, inicialmente, foi projetado para ser uma cadeia de casas noturnas e resorts operado pela Playboy Enterprises. Funcionado por mais de 30, o primeiro foi aberto no centro de Chicago em fevereiro de 1960, o clube se tornou internacional operando em Londres  e Japão.    

Era um ambiente de socialização, dispunha de salas de estar, bar, salão de jantar e uma discoteca. Os membros e seus convidados eram servidos pelas Playboy Bunnies, (garotas fantasiadas de coelhinhas). A parte de entretenimento concentrasse em shows de artistas e comediantes conhecidos e músicos locais.

Em 1991, os clubes já não gozavam do mesmo prestígio e fecharam. Hoje, o Commerce Casino em Los Angeles abriu um salão temático Playboy composto de mesas de jogos e garçonetes de coquetéis Playboy Bunny.

Nos últimos anos, a revista tem lutado contra a forte concorrência erótica gratuita na internet. Por um breve período, entre meados de 2016 até o início de 2017, a publicação experimentou evitar a nudez. Vendo a queda dramática dos leitores, a revista retornou ao seu formato anterior.

No auge do sucesso da Playboy, o patrimônio líquido da Hefner girava em torno de US$ 200 milhões Em 1999, a participação e Hefner na Playboy foi avaliada em US$ 399 milhões, segundo a revista Fortune. Com o advento da internet, que colocou todo o mercado de revistas e jornais em uma trajetória de decadência, a queda de preços das ações atingiu os bolsos do playboy. Hefner deixou uma fortuna estimada na região de US$ 50 milhões.

 

A revolução do Playboy

Hefner e sua revista estiveram na vanguarda da revolução sexual dos anos 1960 e 1970. Nas primeiras décadas da publicação, os conservadores que se escandalizavam com a nudez nas bancas de revista eram uma dor de cabeça constante para o editor, mas as feministas também estavam entre as críticas do estilo vendido pela Playboy.

O bilionário também enfrentou batalhas de liberdade de expressão nos EUA, lutando até a Suprema Corte contra os Correios dos Estados Unidos. A companhia se recusava a entregar sua revista.

A revista sempre recebeu acusações de que utilizar mulher como “objetos”. Para Hefner, a resposta vinha com ironia. “Se nenhuma mulher fosse encarada como objeto, não existiria uma próxima geração. E muitas mulheres aprenderam a usar a Playboy como um meio de aumentar o seu poder sexual”, disse ele em entrevista à revista Veja.

O empresário também ficou conhecido por festas em sua Mansão Playboy e por ter várias namoradas ao mesmo tempo ao longo da vida. Seu estilo de vida foi retratado no reality show "Girls of Playboy mansion", cujas primeiras temporadas tinham as loiras Kendra Wilkinson, Holly Madison e Bridget Marquardt (da esquerda para direita na foto).

foto: Frazer Harrison

Já na terceira idade, Hefner levantou a bandeira que os remédios contra a impotência masculina era uma nova revolução sexual. Segundo entrevista ao New York Times, ele afirmou que tomava Viagra, e disse: "Eu não tomo muito, mas eu lembro (de tomar) quando sou solicitado”. Ele acrescentou "Eu diria que aos 84 anos, isso ajuda. É uma pequena de Deus ".