Internacional

Com o reforço das forças de segurança, o governo central de Madrid espera conter o movimento separatista catalão, que não dá sinais que vai desistir do referendo deste domingo.

 

Madrid - Durante anos, observadores alertaram que o impasse na Espanha em relação à Catalunha poderia terminar em um confronto que poderia gerar um movimento de desobediência civil que agora parece inevitável.

Amanhã, domingo, milhões de pessoas podem tentar votar no que é chamado de "referendo vinculativo" sobre a independência, mas, segundo o poder judiciário da Espanha é um movimento totalmente ilegal. A própria constituição versa que o país é indivisível.

Para a maioria dos catalães que rejeitam a independência, a escolha é aterrorizante. Se eles todos não votarem, os separatistas podem vencer e a ameaça é que já noite de terça-feira eles podem declarar a independência. Agora, mesmo como opositores, se eles votarem, o judiciário do resto da Espanha decretou que eles estão na ilegalidade. De qualquer forma, eles estarão vivendo em uma Catalunha mais polarizada em décadas.

Normalmente, a região nordeste da Espanha, onde fica a Catalunha, concentra 2.800 policiais ne mais 1.900 da Guarda Civil paramilitar. Mas, com o movimento separatista insistindo no referendo deste domingo, o número de oficiais já subiu para mais de 10.000, de acordo com o ministro do Interior catalão, Joaquin Forn.

Forn já tinha expressado anteriormente o aborrecimento pela falta de informação proveniente do governo central de Madri sobre a questão da segurança. Ele acusou o governo central de enviar os oficiais extras como uma forma de "alterar a ordem" da região e que esta atitude poderia provocar distúrbios da ordem pública.

Nesta sexta, dezenas de milhares de separatistas participaram de uma reunião final antes do referendo planejado de domingo sobre a independência da Espanha. O presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, disse à multidão que acreditava que a região estaria dando seus primeiros passos como uma nação soberana.

A pressão do governo de Madrid atingiu até o Google, que eliminou um aplicativo que direciona eleitores para as assembleias e locais de voto. Os usuários de smartphones na região que tentaram baixar o aplicativo no Google Play receberam uma mensagem dizendo que o app não estava disponível localmente, embora aqueles que já tinham o aplicativo ainda poderiam usá-lo.

O Google declarou que estava cumprindo uma ordem judicial.

Os líderes separatistas admitiram que 160 escolas, dos 2300 locais de votação, estão ocupadas pelo movimento. O governo de Madrid informou que 1.300 locais já estão isolados. A polícia de toda a Catalunha tem ordens para evitar que os edifícios públicos sejam usados ​​como assembleias de voto no domingo.

 

Por que Madrid não quer a separação?

A Catalunha, uma região rica de 7,5 milhões de pessoas no nordeste da Espanha, tem sua própria língua e cultura e um alto grau de autonomia, mas não é reconhecida como uma nação separada sob a constituição espanhola.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy sempre foi duro com os separatistas catalães, desde da tentativa de um referendo em 2014. Na época, ele não ofereceu nenhuma concessão as demandas para legalizar o referendo. 

Rajoy afirma que o referendo vai contra a constituição que é clara em reação à "unidade indissolúvel da Nação espanhola, a terra comum e indivisível de todos os espanhóis".

No entanto, a pressão para uma votação sobre a autodeterminação cresceu nos últimos cinco anos, mas nas eleições regionais de 2015, conquistadas por uma aliança de partidos pró-independência, cerca de 40% dos eleitores apoiaram partidos leais a Espanha.

Em contraposição a Rajoy, durante discurso na manifestação de sexta-feira, Puigdemont disse: "Amigos, para que a vitória seja definitiva, no domingo vamos nos vestir e sair de casa preparados para mudar a história".