Internacional

A temporada dos prêmios Nobel em 2017 começou com destaque para área bioquímica. A descoberta de cientistas europeus permite a observação de moléculas em altíssima definição que não era possível até 2013.

 

Londres - Os ganhadores do Prêmio Nobel de Química em 2017, o suíço Jacques Dubochet, o alemão Joachim Frank e o escocês Richard Henderson, desenvolveram a técnica de microscopia crio-eletrônica, que simplifica e melhora a imagem de biomoléculas. Este método elevou a bioquímica para uma nova era de descobrimentos e avanços.

Uma imagem é uma chave para a compreensão. Os avanços científicos geralmente se baseiam na visualização bem-sucedida de objetos invisíveis ao olho humano. No entanto, os mapas bioquímicos eram preenchidos por espaços em branco devido a tecnologia disponível que, até então, tinha dificuldades em gerar imagens de grande parte da vida da estrutura molecular.

O microscópio Crio-eletrônico revoluciona todo o entendimento sobre isto, já que agora os pesquisadores podem congelar as biomoléculas no meio do movimento e visualizar os processos que nunca eram vistos anteriormente. Isto é decisivo para a compreensão básica da química da vida e para o desenvolvimento de produtos farmacêuticos, por exemplo.

Anúncio da academia pelo twitter. (imagem: reprodução)

 

A participação de cada cientista.

Em 1990, Richard Henderson conseguiu usar um microscópio eletrônico para gerar uma imagem tridimensional de uma proteína em resolução atômica. Na época, a crença era que os microscópios eletrônicos eram adequados para gerar imagens de matérias mortas, porque, nesta técnica o poderoso feixe de elétrons do microscópio destrói o material biológico observado.

Joachim Frank tornou a tecnologia aplicável para uso geral. Entre 1975 e 1986, ele desenvolveu um método de processamento de imagem no qual as imagens bidimensionais difusas do microscópio eletrônico eram analisadas e mescladas para revelar uma estrutura tridimensional exata.

Jacques Dubochet adicionou água ao microscópio eletrônico. A água em estado líquido evapora no vácuo do microscópio eletrônico, o que faz com que as biomoléculas desmoronem. No início da década de 1980, Dubochet conseguiu vitrificar a água - ele resfriou a água com tanta rapidez que solidificou em sua forma líquida em torno de uma amostra biológica, permitindo que as biomoléculas se conservassem na forma natural, mesmo no vácuo.

Após essas descobertas, o microscópio eletrônico foi melhorado e otimizado com base nestas descobertas dos três cientistas. Em 2013, a resolução atômica desejada foi alcançada e, desde de então, os pesquisadores podem produzir rotineiramente estruturas tridimensionais de biomoléculas.

Nos últimos anos, a aplicação da técnica se difundiu e é aplicada em praticamente todos os laboratórios científicos no mundo. De proteínas que causam resistência aos antibióticos, até a superfície do vírus Zika, a bioquímica está experimentando um desenvolvimento explosivo de pesquisas e a tendência é que as soluções médicas para doenças complexas, como o câncer, sejam alcançadas com mias rapidez.

 

Outros prêmios concedidos

O Prêmio Nobel é considerado o mais prestigioso prêmio disponível nos campos da literatura, medicina, física, química e busca pela paz. A divisão de atribuição de prêmios  Academia Real das Ciências da Suécia, em Estocolmo, concede os prêmios de Física e Química; a Assembleia do Nobel do Instituto Karolinska atribui os prêmios de Fisiologia ou Medicina; a Academia Sueca outorga o Prêmio Nobel de Literatura; enquanto o Prêmio Nobel da Paz não é entregue por uma organização sueca, mas pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo.

Em 2016, o Prêmio Nobel de Química foi concedido aos pesquisadores Jean-Pierre Sauvage, da França, Sir James Fraser Stoddart, da Escócia e Bernard Feringa, da Holanda, por seus trabalhos no design e síntese de máquinas moleculares.

Entre 1901 e 2017 foram concedidos 109 Prêmios Nobel de Química a 178 cientistas. Frederick Sanger foi o único a ganhar o prêmio duas vezes, em 1958 e em 1980. Assim, 177 pesquisadores na área de química já receberam a láurea.

O prêmio de Química é o terceiro anunciado pela da temporada do Nobel 2017. Na segunda-feira, 02/10, o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2017 foi concedido aos americanos Jeffrey Hall, Michael Rosbash e Michael Young, por suas descobertas sobre os mecanismos moleculares que controlam os chamados ritmos circadianos - uma espécie de relógio biológico interno que regula o metabolismo dos seres vivos.

Na terça-feira, 03/10, o Prêmio Nobel da Física foi concedido ao alemão naturalizado americano Rainer Weiss e aos americanos Barry Barish e Kip Thorne por sua atuação no Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria a Laser, nos Estados Unidos, que permitiu a detecção de ondas gravitacionais pela primeira vez na história.

O prêmio Nobel da Paz será anunciado na sexta-feira, 06/10 e o das Ciências Econômicas na segunda-feira, 09/10. A data para o Prêmio Nobel da Literatura ainda não foi divulgada.