Economia

Serviços e agronegócio puxam para cima os números dos empregos com carteira assinada e pela segunda vez no ano o saldo é positivo. É o resultado da melhora do PIB do primeiro trimestre, mas a instabilidade política continua afetando a criação de mais empregos.  

 

Da redação São Paulo: Segundo o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em dados divulgados em 16 de abril, o Brasil voltou a gerar empregos nos quatro primeiros meses de 2017. Depois de registrar em março 63.624 empregos a menos, em abril foram criadas 59.856 vagas formais, primeiro resultado positivo para abril desde 2014, quando foram criados 105.384 postos de trabalho. No mesmo mês em 2016, o resultado havia sido negativo em 62.844 e, em 2015, também negativo, em 97.828.

 

 

Fonte: Ministério do Trabalho

O setor de serviços foi o que mais contratou em abril, com 24.712 vagas abertas, puxado por serviços médicos e odontológicos, que apresentaram saldo positivo de 8.015 postos de trabalho; de transportes e comunicações (6.840); e de ensino (6.189). Nesse último setor, a retomada foi influenciada pelo aumento da demanda por creches e ensino fundamental, tanto público quanto privado.

O setor agropecuário cresceu e também teve bom desempenho em abril, com saldo de 14.648 vagas, graças ao cultivo de cana de açúcar e café, que, combinados, geraram 14.500 vagas.

A construção civil, que no acumulado de 2016 eliminou 1.321.994 postos de trabalho no Brasil, diminuindo o estoque de vagas formais em 3,33%, não consegue apresentar números positivos há pelo menos dois anos. O pico foi em 2010, quando 2.223.597 postos de trabalho foram criados. Já abril deste ano, mantendo o ritmo de redução, apresentou 1.760 de postos fechados. Entretanto, o recuo foi menor do que o registrado no mesmo mês do ano passado, quando houve perda de 16.036 vagas.

Segundo o Ministério do Trabalho, seis de sete setores no gráfico abaixo registraram aumento de vagas em abril.

 

 Fonte: Ministério do Trabalho

Os quatro primeiros meses de 2017, demonstram que o nível de atividade voltou a ter uma pequena aceleração, embora os efeitos da recessão ainda estejam bem presentes. A reversão do aumento do desemprego tem a ver com a pequena reação da economia brasileira, que voltou a crescer após oito trimestres seguidos de queda. Nos três primeiros meses de 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,0% em relação ao 4º trimestre do ano passado, segundo dados divulgados no início deste mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em valores correntes, a economia do país produziu R$ 1,595 trilhão, e, tecnicamente, a recessão acabou. 

Mesmo com o pequeno avanço da economia e acertos pontais nas reformas, como a aprovação do Projeto de Lei da terceirização em 22 de março, a crise política do Governo Michel Temer impede o avanço na aprovação da reforma trabalhista, que é necessária para a criação de mais empregos.

A prova da fraqueza do governo se deu esta semana, no dia 20 de junho, quando na Comissão de Assuntos Sociais do Senado (“CAS”), a liderança dos senadores governistas cochilou e o texto que defende a reforma trabalhista, do senador aliado Ricardo Ferraço (PSDB-ES), foi rejeitado. Agora, o Governo depende do plenário para reverter a aprovação do relatório da oposição elaborado pelo senador Paulo Paim (PT-SP).

Sem à aprovação da reforma trabalhista, que flexibiliza e moderniza a relação entre empregadores e empregados, a motivação para a realização de mais investimentos para a contratação de mão-de-obra fica limitada, já que empresários não querem ficar presos ao excesso de encargos e regras pouco flexíveis da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) em vigência.