Economia

O COPOM decidiu baixar a taxa básica de juros de 10,25% ao ano para 9,25% ao ano. É a 7ª baixa consecutiva e a primeira vez que fica abaixo dos 10% desde de 2013. Veja como isto afeta a população e empresas.

 

Brasília - Nesta quarta-feira (26/07), o Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central (BC) decidiu, por unanimidade, baixar a taxa de juros básicos da economia brasileira de 10,25% para 9,25% ao ano. Foi o sétimo corte seguido na taxa SELIC. 

Esta redução foi de encontro as expectativas da maioria dos economistas do mercado financeiro e confirmou a tendência do BC de manutenção do ritmo de declínio da SELIC.

Os juros recuam ao patamar de um dígito, fixada em 9,25% ao ano, algo que não acontecia desde o final de 2013. A previsão de economistas consultados por GME HUB de diversas instituições financeiras é de que a taxa básica de juros continue a curva de declínio e há um consenso que ela pode chegar a 8% ao ano até o final de 2017, permanecendo neste patamar até 2021.

 fonte: Banco Central

 

A situação atual de fraco nível de atividade econômica, propicia um baixo nível de inflação, e, às vezes, até situações de deflação (baixa de preços). Segundo o IBGE, no primeiro semestre deste de 2017, a inflação oficial (IPCA) registrou 1,18%. Para o ano, o mercado financeiro prevê que a inflação deve ficar em 3,33%, abaixo da meta de 4,5%.

Mesmo com a queda, o Brasil continua entre os campeões de juros altos no mundo. Neste ranking, o Brasil está entre os 20 países com as taxas de juros mais altas, acompanhado por países como a Argentina, que mantém as taxas elevadas, 20,0%, para atrair investidores internacionais, combater a inflação e a depreciação da moeda. Ou, ainda, a Ucrânia, que está em guerra com a Rússia por disputa de territórios, mantendo a taxas básica em 20,0%, para se defender contra a inflação e suportar a moeda fraca, segundo dados do Banco Mundial.

A nota do Banco Central

Em nota, o BC informou nesta quarta-feira que, para a próxima reunião do COPOM, marcada para o começo de setembro, que deve manter o viéde queda de juros, de um ponto percentual, "dependerá da permanência das condições descritas no cenário básico do COPOM e de estimativas da extensão do ciclo.". E informou que "O ritmo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação".

A autoridade monetária ainda acrescentou que "o Comitê entende que a convergência da inflação para a meta de 4,5% no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2018, é compatível com o processo de flexibilização monetária [corte de juros]", acrescentou, indicando que o processo de redução da taxa SELIC deverá ter continuidade nos próximos meses.

Entenda como o BC define a Taxa de Juros SELIC

SELIC é a taxa básica de juros da economia do Brasil. Ela é uma referência para o custo do crédito no país e um dos principais instrumentos do Banco Central para controlar a inflação e aumentar ou baixar a oferta de crédito para empresas e pessoas.

A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, que é fixada todos os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta central é de 4,5% para 2017 e 2018, podendo a inflação oscilar entre 3% e 6% nestes anos sem que o objetivo seja formalmente descumprido.

SELIC, ou Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, é o sistema no qual os bancos registram operações de crédito fechadas entre eles de um dia para o outro. Esses empréstimos são lastreados em títulos públicos e a taxa de juros que um banco paga nestas transações é chamada de taxa SELIC.

O COPOM (Comitê de Política Monetária) que é formada pelos diretores do Banco Central que se reúnem oito vezes por ano para definir a SELIC. Nessa reunião, eles avaliam a situação econômica do Brasil e definem a taxa mais adequada a situação econômica do Brasil.

A SELIC é um indexador importante que ajuda o BC a controlar a inflação. Se a inflação está alta, o BC pode aumentar a taxa de juros. Isso faz com que o custo do crédito aumente no Brasil e diminua o consumo de bens, produtos e serviços. Se a taxa de juros cai, o efeito funciona ao contrário. Com os juros mais baixos, as empresas investem mais, criam novas ofertas de produtos, serviços e bens e com isto estimula o consumo. Já o consumidor, aproveita para aumentar o seu consumo estimulado pela oferta de crédito mais acessível e com juros mais baratos para financiar as suas compras.

Por que a taxa de Juros do banco para as empresas e pessoas é maior que a SELIC?

A SELIC é uma referência mínima para as taxas de juros cobradas pelos bancos. Ela faz parte da composição da taxa de juros que o banco cobra de empresas e pessoas, que ela é considerada o custo que o banco paga para pegar dinheiro e emprestar para o seu cliente.

Em geral, a taxa de juros cobrada pelos bancos comercias para empresas e pessoas que tomam empréstimos ou financiam a compra de bens é formada pela SELIC, acrescida de impostos, custos operacionais, lucro e o risco de inadimplência.