Economia

Consumo das famílias puxa alta do PIB no segundo trimestre pelo aumento da demanda por serviços. Na contramão, a indústria recuou 0,5% em relação ao mesmo período de 2016, foi a 1ª alta após 12 trimestres

 

São Paulo - A economia brasileira cresceu 0,2% no segundo trimestre de 2017, em comparação com o primeiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na sexta-feira (01/09). O PIB alcançou R$ 1,639 trilhão, em valores correntes.

O consumo das famílias, com alta de 1,4%, foi a chave do crescimento no trimestre. O agronegócio que foi o motor da economia nos três primeiros meses do ano, apresentou 0% de crescimento no segundo tri. 

Foi o primeiro indicativo de alta após 12 baixas seguidas, apresentando um crescimento de 0,3% em comparação com o mesmo período do ano passado.

O IBGE indica um ciclo de ascendência da economia, mas refreia a recuperação, afirmando que ela está longe ainda. Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca de La Rocque Pali, “é uma variação positiva. A gente nem chama de crescimento. Apontamos crescimento quando é superior a 0,5%”.

Inforgráfico Série PIB GMEHUB 

Ela acrescentou: "Estamos num ciclo ascendente da economia. Mas ainda não dá para chamar de recuperação."

Entretanto, em pesquisa nos relatórios de macroeconomia dos principais bancos, a GME HUB encontrou um cenário mais otimista, indicando que o resultado do PIB do segundo trimestre mostra que há sinais de uma recuperação consistente da economia.

No primeiro semestre de 2017, o PIB ficou estável (0,0%) perante ao primeiro semestre de 2016, depois de registrar uma queda de 2,7%. Neste período, super safra do agronegócio impulsionou o com uma alta de 15%. O outro destaque foi a indústria extrativa minera, com 7,8%.

A economia encolheu 1,4%, considerando o acumulado de 12 meses a partir do início do segundo trimestre de 2016.

 

As famílias voltam a consumir

Segundo dos dados do IBGE, o Consumo das famílias impulsiona crescimento do PIB. Apresentou alta de 1,4% no segundo trimestre, após oito trimestres de retração e um sem nenhum crescimento.

Um dos fatores que motivou esta ida às compras foi, foi o uso de parte do dinheiro do FGTS, que também foi utilizado para pagar dívidas ou poupar. A expectativa do mercado é que esse movimento se consolide até o final do ano, impulsionado pela queda dos juros e da inflação. 

Outro fator que deve ser considerado é a ligeira melhora do mercado da geração de emprego, assim como das condições de crédito. Com o pagamento das dívidas, e uma percepção maior dos riscos do endividamento excessivo, as famílias voltam a planejar compras de bens de consumo e até o setor de viagens e turismo vem apresentando um bom movimento de venda de pacotes e passagens.

 

Serviços avançam com ajuda do comércio e do consumo das famílias

O setor de serviços foi um dos destaques positivos para o PIB do segundo trimestre. O setor cresceu 0,6%, sendo o maior contribuidor para o resultado, e correspondendo por cerca de 70% do PIB.

A alta do comércio, de 1,9%, foi reflexo direto do consumo das famílias. Outras atividades também se destacaram: Setor imobiliário e outros serviços, alta de 0,8%, e atividade de transporte, armazenagem e correio, 0,6%.

 

Na contramão

Os destaques negativos ficaram por conta dos serviços de informação, retração de 2,0%; as atividades de administração, saúde e educação pública, -0,3%; e de intermediação financeira e seguros (-0,2%) tiveram variações negativas.

Contudo, na comparação com o mesmo trimestre de 2016, o setor de serviços teve retração de 0,3%, na 10ª queda seguida no PIB.

Depois de avançar no primeiro trimestre, a indústria voltou a recuar. O setor se retraiu em 0,5% frente ao primeiro trimestre. Quem puxou o resultado para baixo foi a construção civil, que recuou 2,0%.

O destaque negativo da indústria foi a construção civil, que recuou 2,0% e teve efeito sobre os gastos do governo, que também caíram.

Na indústria, também recuou a na atividade de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (1,3%). Já a indústria extrativa mineral subiu 0,4%, enquanto a de transformação avançou 0,1%.

A indústria continua encolhendo na comparação com seu desempenho em igual trimestre de 2016. O segundo trimestre teve o 14º resultado seguido de queda. O último crescimento do setor ocorreu no primeiro trimestre de 2014, de 7,8%.

 

Agropecuária fica estável 

A agropecuária não variou (0,0%) no segundo trimestre, após uma trajetória de três trimestres seguidos de alta e registrado recordes na safra, cresceu 11,5% no primeiro trimestre e impulsionando o PIB do período.

No entanto, segundo a análise do IBGE, a contribuição do agronegócio na formação do PIB nos próximos dois trimestres do ano será menor, pois cerca de 70% da safra prevista para o ano já foi colhida no primeiro semestre, restando um espaço menor para a manutenção do ritmo de crescimento para o segundo semestre.

 

Investimentos têm novo recorde negativo

O governo investiu e gastou menos no segundo trimestre deste ano. Os gastos públicos recuaram 0,9% e influenciaram negativamente o PIB. Esta foi a maior queda desde o terceiro trimestre do ano passado e a quarta retração trimestral seguida. 

Na mesma toada, os investimentos privados ainda continuam retraídos. Os investimentos caíram 0,7% na comparação trimestral. A formação bruta de capital fixo (investimentos em bens de capital) recuou 0,7%, a quarta taxa negativa seguida no PIB. A última variação positiva do indicador foi no segundo trimestre de 2016, quando cresceu 0,4%.

De forma geral, a taxa de investimentos no país foi de 15,5%, a menor para o segundo trimestre da série histórica iniciada em 1996.

 

Exportando bem

No setor externo, as exportações de bens e serviços registraram variação positiva de 0,5%, a segunda taxa positiva seguida, mas menor que o crescimento de 5,2% no trimestre anterior 

 

Meirelles afirma que saímos da recessão 

Em nota à imprensa, o ministro da fazenda, Henrique Meirelles, disse que as medidas adotadas pelo Governo recolocaram o Brasil no caminho do crescimento sustentável. Ela ainda comenta que as empresas estão voltando a contratar, a inflação está baixa e a taxa de juros está em queda consistente. Para o ministro, estes fatores contribuem para a retomada do consumo das famílias.

Meirelles permanece otimista, segundo a nota: “Esta retomada da atividade irá se fortalecer nos próximos meses.  Entraremos em 2018 num ritmo forte e constante.”