'Terceira língua' valoriza funcionário. Mas não vale 'portuñol'.

Educação

Empresas com negócios no Mercosul ou Espanha querem profissionais com domínio do castelhano. E cresce a procura por cursos de mandarim, a principal língua chinesa.

De São Paulo - No Brasil, poucos são os que falam inglês suficiente para “se virar” nos negócios ou mesmo nas relações pessoais. Mas há pelo menos duas décadas o mercado de trabalho começou a cobrar dos profissionais mais graduados o domínio de uma segunda língua estrangeira. Desde que o Mercosul multiplicou o comércio principalmente entre Brasil e Argentina, no final dos anos 80, as empresas mais profissionais passaram a procurar executivos com domínio do espanhol -- queriam superar o improviso dos negócios em "portuñol".

Já no final dos anos 90 e início de 2000, disparou a demanda pelo espanhol no Brasil, motivada também pela chegada de grandes empresas espanholas ao mercado brasileiro, como a Telefônica e o Banco Santander. E chegou ao auge no final da década passada, entre 2007 e 2008, quando Buenos Aires superou Miami e tornou-se o principal destino de viagens ao exterior por brasileiros, à época com emprego e salário em alta.

Na Argentina, na mesma época, houve fenômeno inverso, com crescimento do interesse pelos cursos de português – lá, a ponto de a língua falada no Brasil superar a procura pelo francês, eterna segunda demanda nas escolas de idiomas do país vizinho.

O Instituto Cervantes no Brasil, escola de idiomas ligada ao ministério de Assuntos Exteriores da Espanha, comemorou no final da década passada um recorde de alunos nos cursos de espanhol oferecidos no Brasil: dez mil adultos se matricularam.

"Falando espanhol correto e não o 'portunhol', nossos estudantes sabem que crescem as oportunidades por melhores trabalhos. As novas gerações são mais conscientes da importância do aprendizado de línguas", afirma Hermés de La Torre, chefe de estudos do Instituto Cervantes de São Paulo.

A escola, que é subsidiada pelo governo da Espanha, oferece cursos a preços muito atraentes, bem mais baratos que os cobrados por outras escolas de idiomas também ligadas aos governos de seus países, como a Aliança Francesa e o Instituto Goethe, que ensina alemão. Por causa da semelhança entre as línguas o aprendizado pode ser rápido, garante La Torre.

 

Estudantes de mandarim da Faap-São Paulo, diante do Instituto Confúcio, em Pequim
Estudantes de mandarim da Faap-São Paulo, diante do Instituto Confúcio, em Pequim (Foto: Divulgação Faap)

Com a crise econômica, a ascensão dos negócios com a China e o Mercosul desvalorizado, muitos executivos mudaram o foco e agora estão mirando a Ásia. O analista de controladoria Antônio Gentile, 56 anos, viu no aumento dos negócios entre a empresa onde trabalhava e a China uma oportunidade de crescimento profissional, e decidiu estudar mandarim.

Escolheu o curso oferecido pela Faap (Fundação Armando Álvares Penteado). A instituição tem uma parceria com o Instituto Confúcio chinês e, por isso, o curso de mandarim tem um preço super acessível: o semestre custa 900 reais e pode ser dividido em 4 parcelas. A qualidade do ensino é garantida pelo governo chinês, segundo a Faap.

“O Hanban, a matriz dos cursos Confúcio na China, nos envia professores treinados na metodologia do instituto", afirma Lourdes Zilberberg, diretora do departamento de internacionalização da universidade.