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Educação

Cursos de gestão avançada no Brasil atendem bem às necessidades do mercado local de executivos. Como os da FGV, de Paulo Lemos.

De São Paulo -- Embora os cursos de formação de executivos no exterior ainda tenham enorme apelo de mercado, globalizem a carreira e garantam vantagens competitivas de longo prazo para os seus diplomados, para a maioria dos estudantes brasileiros eles não passam de uma miragem. Os entraves mais evidentes, além dos rigorosos critérios de seleção, são os altos custos de um Master of Business Administration (MBA) em uma universidade prestigiada americana, como Harvard, Chicago ou Princeton, e a necessidade de dedicação integral por um período de dois anos.

Na vida real, poucos conseguem superar esses obstáculos e a melhor saída acaba sendo a busca de uma boa escola de negócios local, o que, atualmente, não é tão difícil de encontrar. “Os bons cursos brasileiros se equiparam aos estrangeiros e têm a vantagem de serem aplicados para a realidade do país”, afirma Paulo Lemos, diretor da FGV Management. “E se o aluno quer conhecer outras experiências pode fazer um módulo internacional para completar os estudos.”

Foi o que fez o especialista em logística da Alcoa, Renato Lana, de 27 anos. Em 2011, um ano depois de formado em análise de sistemas na Fatec, em São Paulo, ele procurou uma pós-graduação estratégica na FIA, com um módulo internacional da Universidade de Columbia. “Saí de uma faculdade muito técnica e precisava desenvolver uma visão de gestor”, diz. Ao longo do curso foi selecionado para trabalhar na Camargo Correa e, no final, entrou na Alcoa, onde está há três anos e meio.

Sala de aula no Insper: cursos de gestão avançada têm qualidade e são voltados para o mercado local
Sala de aula no Insper: cursos de gestão avançada têm qualidade e são voltados para o mercado local (Foto: Insper)

Agora, pensando em dar um novo salto profissional, ele se matriculou no MBA Executive do Insper. Teve todo apoio da empresa, que inclusive o ajudou a buscar um curso adequado. Hoje, ele tem reembolso de 70% dos gastos de sua formação. “Respeito muito os MBAs globais, mas para quem tem uma carreira doméstica eles não são tão interessantes”, diz. “Um curso local pode atender melhor as necessidades específicas de um gestor de uma empresa no Brasil.”

Além de cursos mais rápidos de especialização, por aqui existem dois caminhos educacionais para o desenvolvimento de executivos de negócios: Master/Mestrado ou MBA. São cursos de pós-graduação desenhados para profissionais em diferentes estágios da carreira e que atendem objetivos específicos.

O Master é um programa de estudos com perfil mais acadêmico e menos prático, que dura de um a dois anos e é dirigido, em geral, a recém-formados que sentem lacunas de formação e querem entrar no mercado com uma base de conhecimento mais sólida ou partir para uma carreira de pesquisa ou ensino.

Já o MBA brasileiro é ajustado para profissionais com experiência de trabalho de cinco ou seis anos e atrai, justamente, aqueles profissionais que querem evoluir como gestores e assumir cargos de liderança. Não pressupõe dedicação integral e visa complementar os conhecimentos de executivos em plena atividade que têm planos de ascensão a médio e longo prazos.

Praticamente todas as universidades brasileiras oferecem, em seus departamentos de economia e administração, cursos acadêmicos de pós-graduação, de aperfeiçoamento e especialização, mas há também escolas dedicadas à formação de profissionais de alto desempenho que preparam para a tomada de decisões e pretendem expandir a rede de relacionamento e sua capacidade de liderança, como a FGV, o Insper, a Business School a Senac, FGV, Faap, Fia (Fundação Instituto de Administração), ESPM, Insper, ANbima (para executivos financeiros) ou o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), para ficar em alguns exemplos.

Para quem quer fazer um programa de MBA Executive com o mesmo conteúdo dos Estados Unidos sem sair do país, mas falando inglês, existem opções como  a Katz, em São Paulo. Professores da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, são responsáveis pelas aulas.

Laban, coordenador de MBA do Insper: erro nas denominações de cursos cria confusão entre potenciais alunos no país
Laban, coordenador de MBA do Insper: erro nas denominações de cursos cria confusão entre potenciais alunos no país (Foto: divulgação)

No Brasil, frequentemente, mestrados de administração servem para preencher lacunas de conhecimento deixadas por uma graduação fraca ou muito técnica. É, na verdade, um esforço de complementação do aprendizado. Além disso, como lembra o coordenador de MBA do Insper, Silvio Laban, se criou uma confusão por causa da nomenclatura e se usa a sigla MBA para cursos que nada tem a ver com a formação avançada de gestores.

“É importante organizar essa situação e dar o nome certo”. Para reduzir as distorções, o Ministério da Educação tem feito o registro de milhares de programas de pós-graduação no país e cadastrado as instituições que oferecem esse tipo de curso. “Precisa ficar claro que programas de MBA são aqueles que preparam o profissional que visa alcançar a alta administração para liderar e tomar decisões”, explica Laban.

Se os cursos são presenciais ou à distância, já não é uma questão que faz muita diferença no mundo corporativo. O ensino à distância vem sendo cada vez mais valorizado. “Os resultados podem ser tão bons quanto de uma pós-graduação presencial”, afirma Paulo Lemos.

“A única ressalva é que o aluno precisa estar altamente comprometido e ser o protagonista do curso que faz.” A principal limitação desses programas online é a falta de integração com outros alunos e professores, mas sempre há módulos presenciais que amenizam esse problema. Além disso, há uma nova modalidade de curso, chamada de blended, em que o aluno tem aulas à distância, mas se reúne um dia por mês com outros companheiros de classe e professores.

O que não faltam, nesta altura, são opções de ensino. O importante é o jovem executivo saber o que quer e escolher a forma de aprendizado mais afinada com suas necessidades.

Para acabar com as distorções, o Ministério da Educação tem feito o registro de milhares de programas de pós-graduação no Pais e cadastrado as instituições que oferecem esse tipo de curso. “Precisa ficar claro que programas de MBA são aqueles que preparam o profissional de administração que tem planos de ser diretor ou até presidente de uma empresa para tomar decisões”, explica Laban.

Um caminho de formação de executivos cada vez mais valorizado é o do ensino à distância. Se existia algum preconceito contra esse tipo de MBA ou Master, ele vem desaparecendo graças, inclusive, a iniciativa de grandes empresas que já constataram a eficácia desses cursos. “Os resultados pode ser tão bons quanto de uma pós graduação presencial”, afirma Paulo Lemos.