Finanças

Com o fechamento do primeiro semestre, a confiança dos investidores não anda muito forte, especialmente nestes tempos difíceis de crise econômica e política. A causa de tanta falta de credibilidade se dá pelo esfarelamento do Governo Temer.

 

São Paulo – O Ibovespa que em janeiro de 2017 estava no patamar de 60,1 mil, atingiu o seu pico de 69,9 mil pontos rapidamente em fevereiro, um ganho médio de 16,3% no período. Naquele momento, Temer vivia o seu melhor momento tocando as reformas e o pais dava os primeiros sinais que sairia da recessão. Mas, o índice perdeu força em maio após a publicação das gravações de conversas nos porões do Palácio Jaburu, nas quais Temer e Joesley falavam sobre a prática de supostos crimes, como o pagamento de propina/compensação ao ex-deputado Eduardo Cunha. A bolsa desabou, retornando ao patamar de 60 mil pontos.

Quatro referencias para entender o IBOVESPA em 2017. O começo de janeiro, a menor pontuação do ano 59,5 mil; o maior nível foi atingido em fevereiro 69 mil; recuou para 61,5 mil após a publicação das gravações de Joesley e Temer; e fechou junho com 62,8 mil, uma pequena recuperação.

 

Mesmo sem conseguir recuperar os ganhos deste ano, a bolsa fechou o primeiro semestre em alta de 4,44%, e parte desta recuperação se apresentou nesta última semana quando o Ibovespa teve uma valorização de 2,97%. Este pequeno avanço se deu pela aprovação da reforma trabalhista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

No último dia pregão do mês, sexta-feira (30), o Ibovespa encerrou o pregão apresentando alta de 1,06% e alcançando os 62.9 mil pontos, com um volume de transações de R$ 6,1 bilhões. Analistas creditaram esta valorização pelo ajuste de carteiras de diversos fundos de investimento para melhorar suas rentabilidades no final do mês.

 

Small Caps, o destaque da primeira metade do ano

Smalls caps são ações de empresas com menor liquidez e valor de mercado e, mesmo em um ambiente econômico e político conturbados, elas foram o destaque no primeiro semestre 2017.

Como exemplo de ganho médio, as ações Alliar (AALR3), a terceira maior empresa de diagnósticos do país, teve uma valorização de 19,89%. Analistas destacam que três medidas no primeiro trimestre deste ano garantiram a valorização da empresa e seus ativos. Neste período, a Alliar obteve um crescimento da receita líquida de 32%; adquiriu o Multiscan , empresa líder em diagnósticos por imagem no estado do Espírito Santo e abriu quatro mega unidades e 11 postos de coleta. A empresa também reduziu custos com o fechamento de 4 unidades padrão.

O desempenho da Alliar reportado em seu último balanço agradou os investidores. No primeiro trimestre (1T) deste ano, o lucro líquido foi de 8,8 milhões de reais, menor que o do mesmo período de 2016, mas a sua receita bruta atingiu R$ 279 milhões, contra R$ 208,4 milhões do 1T de 2016, uma variação positiva de 34%. O EBTIDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization”, ou Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) também teve um aumento considerável de 18%, saindo de R$ 41,9 milhões (1T16) para R$ 49,7 milhões no 1T de 2017.

Um destaque de ganho superior a 50%, foram as são as ações do Fleury, que tiveram uma apreciação de 51% nos últimos seis meses. O otimismo com os papéis da empresa está relacionado com a capacidade que a empresa para captar o crescimento de longo prazo no segmento de diagnósticos no Brasil.

No patamar de ganho excepcional estão as ações do Magazine Luiza, que acumularam ganhos de mais de 151,7% de janeiro a junho deste ano. Em seu último balanço divulgado, a empresa apresentou no primeiro trimestre deste ano, o lucro líquido foi de 58,5 milhões de reais, mais de 10 vezes, o registrado no mesmo período de 2016.

Mas, nenhuma empresa obteve tanto destaque quanto a Rossi Residencial. No primeiro trimestre ela registrou um prejuízo líquido de R$ 162,9 milhões, uma piora de 14,5% ante as perdas de R$ 142,2 milhões de igual intervalo de 2016. O EBITIDA ajustado ficou negativo em R$ 60,5 milhões no primeiro trimestre, ante perdas de R$ 63,3 milhões de igual intervalo do ano passado. O dado positivo foi a da receita líquida, que somou R$ 138,6 milhões de janeiro a março, representando uma alta de 29,5% em relação ao mesmo período de 2016.

A empresa divulgou em abril de 2017 que, depois de diminuir drasticamente sua estrutura e mão-de-obra, o próximo passo era reestruturar a sua dívida de R$ 1 bilhão. E foi que ela fez. A Rossi encerrou as atividades com a RB Capital e pagou uma dívida de mais de R$ 100 milhões. Com isto, a Rossi foi a campeã das small caps, acumulando alta de 184% no primeiro semestre de 2017.