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A partir de 2014, Michael Jordan passou a ganhar por ano mais dinheiro do que a soma de seus 15 anos de salário na NBA. Conheça como ele se tornou o primeiro atleta bilionário do mundo – Especial Negócios na NBA - Parte 2

 

Michel Jordan foi um fator de mudança para o jogo e para os negócios da NBA. Seu logotipo emblemático – ele saltando para uma “enterrada” – se tornou o símbolo de sua carreira vitoriosa como atleta de alto nível, mas também virou um registro constante de seu sucesso como empresário.

Desde sua entrada na NBA em 1984, Michael Jordan ajudou a projetar o esporte nacionalmente e internacionalmente. Foi uma vitrine viva do que o basquetebol tem de melhor e atraiu fãs, patrocinadores e muita audiência para a televisão. A NBA só chegou a ser o terceiro esporte nos Estados Unidos nos anos 1990, quando Jordan fez desta década o auge de sua carreira como jogador. Apesar de sua grandeza como atleta, traduzida em 6 títulos e dezenas de prémios de MVP (Most Valued Player – jogador mais valioso), seu salário raramente correspondeu à sua importância para a liga.

Jordan foi o jogador mais bem pago da NBA apenas duas vezes durante sua carreira de 15 anos, tendo somado ganhos totais de US$ 90 milhões em salários, que é uma remuneração abaixo da média para os padrões dos salários de MVPs de qualquer liga americana. Para efeito de comparação, Dikembe Mutombo, icônico pivô que se destacou no Atlanta Hawks e em outros times, nunca foi campeão da NBA, mas acumulou os mesmos US$ 90 milhões exatamente no período em que Jordan jogou, entre 1991 e 2003 (considerando o intervalo de Jordan de 99 a 01). Mutombo depois de 18 anos na NBA acumulou em salários US$ 143 milhões. Kevin Garnett, pivô recém aposentado, uma única vez campeão com o Boston Celtics em 2008, recebeu ao longo de 22 temporadas a incrível quantia salarial de US$ 315 milhões. Três vezes e meio mais do que Jordan.

Obviamente Jordan foi um dos atletas mais bem pagos de sua geração – e ele mereceu cada centavo. No entanto, a sua grande jogada estava nos contratos com seus parceiros corporativos. Em 1984, antes de estrear na NBA, Jordan fechou o seu primeiro contrato com a Nike de US$ 12,5 milhões e outro com a Chevrolet de US$ 200 mil. Já na NBA, seu primeiro salário pago pelo Chigago Bulls, pela temporada de 1994-95, foi de US$ 630 mil.

David Falk, ao lado de Michael Jordan, foi responsável pela maioria dos acordos de "endorsement" (foto: nba.com) 

A relação com a Nike

A Nike sempre foi o maior patrocinador de Michael Jordan. A companhia líder em artigos esportivos, detendo 90% do mercado de tênis de basquete nos EUA, gera receitas de quase US$ 3 bilhões ao ano com os produtos da marca Jordan. Pelo licenciamento, Michael Jordan recebeu em 2014 mais de US$ 100 milhões. Em apenas um ano, ele arrecadou com licenciamentos mais do que em todos os 15 anos de salários somados jogando na NBA.

Suas receitas também são compostas por outros contratos de “endorsement" (licenciamento de marcas e produtos), como: Gatorade, Hanes e Upper Deck. Com tanto dinheiro em caixa, em 1993 Jordan iniciou a Cornerstone Restaurant Group, que administra 7 tipos de estabelecimentos que levam a sua marca em diversos estilos, como steak houses, cafés, sports bars e outros. Em 1997, ele adquiriu uma concessionária e uma oficina para automóveis da marca Nissan.

Já como empresário estabelecido, Jordan deu um passo gigante para aumentar o seu patrimônio. Em 2010, ele adquiriu 90% da franquia da NBA Charlotte Hornets, que foi avaliada à época em US$ 175 milhões. Uma pechincha para os padrões da NBA, que tem no New York Knicks a sua franquia mais valiosa, valorada em 2016 em US$ 3,3 bilhões. Atualmente, o Charlote vale US$ 780 milhões.

Para garantir o futuro da marca “Jordan”, a Nike vem fazendo um trabalho de evolução que está focado em uma estratégia de expansão em nichos, inclusive criando novas marcas derivadas para atingir públicos que não consomem produtos de basquetebol. A base está na criação de produtos que se identifiquem com o estilo de vida de seus usuários, especialmente, para o uso informal no dia-a-dia.

Outra estratégia que está intimamente ligada a tudo o que Michael Jordan representou no esporte é a exploração do fenômeno sneakerhead (pessoas que colecionam tênis raros de edição limitada ou vintage). Neste caso, a Nike busca atingir um público de colecionadores, jogadores amadores e fanáticos por tênis e reedições.

A Nike mantém diversas linhas retrô dos tênis de Jordan, constantemente atualizadas e disponíveis principalmente em seu próprio website. Varejistas selecionados também são utilizados, mantendo o ar de exclusividade e limitação de acesso ao produto retrô. Apesar de não ser lucrativa ainda, a venda para os sneakerheads já representa cerca de 50% do negócio de calçados com a marca Jordan, com cada unidade sendo vendida a um preço médio de US$ 180,00.

A maioria das configurações retrô não vende o suficiente para pagar todo o custo da operação. Assumindo uma posição de investimento intenso, a Nike está usando uma lógica de venture capital (capital de risco) neste negócio. Ela aposta em vários lançamentos esperando que um deles recupere todo o prejuízo dos demais. É como um portfólio de empresas de Tecnologia da Informação. O investidor aposta em várias tendências tecnológicas e, a que vingar, dará lucro suficiente para cobrir os eventuais prejuízos das outras empresas.

Um bom exemplo desta lógica foi o lançamento do Air Jordan XI "Legend Blue". Na semana anterior ao Natal, em 20 de dezembro 2016, a Nike abriu com exclusividade em seu site as vendas do "Legend Blue", que já era muito aguardo depois de semanas de uma bem-sucedida campanha viral. O resultado não poderia ser mais estrondoso: o tênis retrô se esgotou em apenas três horas. Somando às vendas dos varejistas, que também esvaziaram rapidamente seu suprimento na primeira semana, a Nike vendeu mais de US$ 80 milhões do "Legend Blue". Para efeito de comparação, Adidas, Under Armour, Reebok e todas as outras marcas não-Nike, geraram receita combinada anual de US$ 190 milhões na venda de tênis de basquete, de acordo com o SportScanInfo.com. Em um só tênis retrô, a Nike faturou 42% do total de seus concorrentes.

Segundo a revista Forbes, Jordan é primeiro e único esportista bilionário do mundo, com uma fortuna avaliada em US$ 1,3 bilhão. O segundo é Michael Schumacher com US$ 800 milhões. O legado e a fortuna de Jordan estão protegidos, já que a parceria com a Nike não dá sinais de fraqueza, e se depender dela, Jordan continuará sendo o seu “cash cow” (ativo ou produto responsável por gerar grande parte dos lucros da empresa).