Política

Este é um cenário cada vez mais provável se o presidente Temer sobreviver ao veredito da Comissão de Constituição e Justiça, que deverá produzir um parecer contra, ou a favor, de seu afastamento e posterior investigação.

 

A articulação de Maia

Brasília - Um personagem vem se destacando neste período turbulento. O deputado do DEM do Rio Janeiro, Rodrigo Maia, atual presidente da Câmera dos Deputados, está em plena conversação para formar uma nova base de aliados para uma cada vez mais possível candidatura a eleição indireta que deve ocorrer caso o presidente Michel Temer saia do posto. Mas como Maia ainda é um aliado declarado de Temer, ele anda irritado com as especulações, muitas delas causadas por ele mesmo, ou por outros líderes. Por exemplo: o presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), começa a ensaiar o desembarque do governo e declarou abertamente sobre a possibilidade de um novo governo sob a liderança de Maia.

Apesar dos rumores e movimentos de articulação, Maia não dá sinais de traição, pelo contrário, ele vem apoiando Temer desde que a gravação da conversa não-republicana entre Joesley Batista e o presidente veio à tona. Ele cuidou da contenção do primeiro impacto, na qual vários deputados da base aliada ameaçaram romper com o governo. Desde então, ele tenta colocar as questões importantes do governo em um ritmo mais avançado de votação, mas, depois da denúncia de Janot, a crise política aumentou e, por consequência, a agenda de reformas prometidas por Temer está parada.

Segundo fontes próximas à Maia, o presidente da Câmara já está em negociações avançadas para formar uma nova base de aliados. Ele vem articulando para o lançamento de seu nome em uma eventual eleição indireta, mas gostaria que indicação viesse de um grupo de deputados multipartidário. Desta forma, não daria impressão de que ele se ofereceu para a tarefa, mas sim que aceitaria o convite para disputar a presidência.

O que já se sabe é que um possível vice na chapa de Maia seria Aldo Rebelo do PC do B. Um claro movimento de aproximação com a esquerda. Maia já havia recebido apoio da esquerda na sua eleição para o comando da Câmara.

Na noite da quinta-feira (6/7), Maia declarou em Buenos Aires, que o Congresso deve definir rapidamente se aceita ou não a denúncia contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva, apresentada pela Procuradoria Geral da República. Ele disse: “Minha vontade pessoal é que a gente deva encerrar este assunto assim que sair da Comissão de Constituição e Justiça – o Brasil não pode ficar parado com o parecer até o mês de agosto”. 

O apoio do PSDB

Um apoio de peso para sua eventual candidatura veio do presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), que na mesma quinta-feira (6/7) apoiou abertamente Maia. Tasso declarou que Maia tem as condições necessárias para promover estabilidade no país. O senador ainda comentou a situação do governo Temer que, segundo ele, está “chegando na ingovernabilidade” e deixou clara sua disposição para negociar uma renúncia organizada e menos traumática possível para o presidente da República.

Tasso Jereissati: "Caminhamos para ingovernabilidade". Diz o senador sobre a situação de Temer. (foto:PSDB divulgação)

Em declaração Tasso afirmou: “Rodrigo Maia tem condições de juntar os partidos ao redor de um nível mínimo de estabilidade que o país precisa. Estamos chegando na ingovernabilidade e tem que haver agora um acordo para dar estabilidade mínima para se chegar a 2018”.

Pragmático, o senador Tasso desenhou um cenário do que seria a composição ideal para o novo governo de Maia. A manutenção da equipe econômica e da maioria dos partidos que apoiam o governo hoje. Naturalmente, Tasso sugeriu o que Temer descartou logo no começo do seu governo, o tal do “Ministério de Intocáveis”, como nomes que sejam confiáveis na postura ética e não estejam sendo investigados, ou citados, nos diversos escândalos de corrupção. Uma missão quase impossível nos dias de hoje.  

Tasso vem explicitando o seu apoio ao desembarque do governo Temer e afirmou que “os fatos” devem levar o PSDB a sair da atual base de sustentação. A disputa pela permanência vem sendo travada especialmente com o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que é o principal articulador do partido com o governo Temer. Tasso acredita que, mesmo que Aécio volte a assumir a presidência do PSDB, a permanência do partido não deve se manter.

O senador ainda declarou: “Não conheço nenhum partido, a começar pelo PMDB, que esteja mais governista do que pelo desembarque. Todos nós vamos ter que nos render aos fatos.

Tasso ainda indagou: “Qual partido não está refluindo? O relator da denúncia na CCJ, que é do PMDB, deve dar um voto pelo afastamento de Temer. Quer coisa mais significativa que isto?

 

O desdém do PT as eleições indiretas

A presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), fez declarações provocativas e pejorativas à Maia em relação a sua possível candidatura e eventual eleição, durante entrevista após a primeira reunião como presidente nacional do partido em Brasília.

Gleise Hoffmann: "Rodrigo Maia é tão ruim quanto Michel Temer". (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Gleise afirmou: “Não reconheceremos nenhuma eleição indireta. Queremos reforçar isso. Para nós tanto faz Temer ou Maia. Rodrigo Maia é tão ruim quanto Michel Temer. Nosso posicionamento é que o Congresso tenha decência e convoque novas eleições”. 

A senadora também comentou sobre às declarações do senador Tasso Jereissati em relação ao desembarque do PSDB: “Eu espero sinceramente que o PSDB possa se alinhar ao seu presidente de honra, Fernando Henrique Cardoso, e assine a PEC da senadora Lídice da Mata (PSB-BA) que antecipa as eleições. Porque só fazer discurso não adianta nada para defender a democracia.”.

Para o PT não existe a possibilidade eleições indiretas e durante a reunião, membros do diretório nacional do PT discutiram as diretrizes internas do partido para o próximo período eleitoral de 2018.

A presidente foi questionada sobre um eventual segundo nome para a candidatura presidencial, caso Lula venha a ser condenado e preso. Gleise respondeu: "uma eleição sem Lula não seria uma eleição democrática". Ele completou que o PT irá recorrer caso o ex-presidente seja condenado.