Política

Geddel cumpria prisão domiciliar desde julho por ser suspeito de obstrução de Justiça, mas depois que suas impressões foram encontradas junto aos R$ 51 milhões aprendidos, a PF pediu uma nova prisão preventiva para evitar destruição de provas

 

Salvador - O ex-ministro Geddel Vieira Lima, do PMDB, foi preso preventivamente (sem prazo determinado) na manhã desta sexta-feira, 08/09, em Salvador, três dias após a Polícia Federal (PF) apreender a impressionante quantia de R$ 51 milhões em um imóvel supostamente emprestado para a utilização do peemedebista.

A prisão foi determinada pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, em uma nova fase da Operação Cui Bono, que investiga fraudes na Caixa Econômica Federal.

As investigações da Cui Bono apontam que Geddel, que no governo Dilma Rousseff ocupou a Vice-Presidência de Pessoa Jurídica do banco público, indicado pelo PMDB, "agia internamente, de forma orquestrada", para beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua diretoria e fornecia informações privilegiadas para os outros integrantes "da quadrilha que integrava". Outro membro notório da organização criminosa é o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Dilma e Geddel, quando ele era vice-Presidente de Pessoa Jurídica da caixa. (foto: divulgação)

O pedido de prisão foi cumprido pela PF nesta sexta-feira às 6 da manhã e foi endossado pelo Ministério Público Federal (MPF) com base na apreensão de R$ 51 milhões. O argumento dos investigadores para justificar o retorno de Geddel para a prisão é o eventual risco de "destruição de elementos de provas imprescindíveis à elucidação dos fatos". Além disso, com a ação rápida, a PF evita o risco de fuga, que aumentou depois da divulgação da apreensão do dinheiro.

A assessoria do MPF informou que busca apreender provas de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, em complemento a nova fase da Cui Bono.

O juiz Vallisney escreveu em despacho: "No momento, são fortes os indícios do delito de lavagem de capitais, tudo apontando ao fato de que o requerido [Geddel] não cumpriu a decisão (de prisão domiciliar) na sua integralidade (em paralelo e desde antes de sua prisão), e de que esteja reiterando na conduta criminosa, sendo a hipótese de decretação de sua prisão preventiva, a fim de que seja sustada a continuidade delitiva", escreveu o juiz de Brasília no mandado de prisão.

A PF também cumpre mandado de prisão preventiva contra o diretor-geral da Defesa Civil de Salvador, Gustavo Ferraz, que, segundo as investigações, é ligado ao ex-ministro. Antes de assumir a chefia da Defesa Civil da capital baiana em janeiro deste ano, Ferraz atuava como diretor de Habitação da antiga Secretaria Municipal de Infraestrutura e Defesa Civil, agora chamada de Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas. Ele ficou no cargo entre os anos de 2015 e 2016.

Segundo os investigadores da PF, Ferraz trabalha em conjunto com Geddel e pelo menos desde 2012, ele recebia valores ilícitos remetidos por Altair Alves, emissário de Eduardo Cunha.

 

14 horas para contar os mais de R$ 51 milhões em dinheiro que seriam do ex-ministro Geddel 

Na terça-feira (05/08), a PF apreendeu R$ 51 milhões em um apartamento que seria utilizado por Geddel em Salvador. Dono do imóvel, Silvio Pereira afirmou à PF que havia emprestado o imóvel ao ex-ministro para que ele guardasse pertences do pai, que morreu no ano passado.

Além de o próprio dono do apartamento ter dito que emprestou o imóvel a Geddel para que o ex-ministro, supostamente, guardasse pertences do pai, que morreu no ano passado, a administradora do condomínio, Patrícia dos Santos, confirmou que o apartamento era utilizado por Geddel.

No despacho que autorizou a detenção de Geddel ex-ministro, o juiz da 10ª Vara Federal de Brasília relatou que, segundo a PF, há "fortes indícios" de que os R$ 51 milhões apreendidos na última terça "pertence realmente" ao ex-ministro, "uma vez que, no local, foi encontrada uma fatura em nome de Marinalva Teixeira de Jesus, funcionária do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão do ex-ministro.

A PF levou cerca de 14 horas para fazer a contagem da montanha de Dinheiro. Uma empresa transportadora de valores cedeu oito máquinas e onze funcionários para a conferência.

O delegado Daniel Justo Madruga, superintendente regional da PF na Bahia, disse que os agentes ficaram ‘surpresos’ com tanto dinheiro no apartamento.

A perícia realizada logo em seguida apreensão demonstrou que as impressões digitais do Geddel estavam no apartamento.  

A defesa de Geddel Vieira Lima ainda não se manifestou sobre os R$ 51 milhões e descoberta das digitais.