Política

João Doria está enfrentando a sua primeira queda acentuada na aprovação de sua gestão, segundo o Datafolha. Ele atribuir este mau desempenho a “herança do PT”, mas a percepção negativa sobre suas viagens e a sua pré-candidatura à presidência, influenciaram em sua queda.

 

São Paulo - A Pesquisa do Datafolha foi divulgada neste domingo (8/10) e demonstrou que o índice de avaliação “regular”, de 40%, represente a percepção da maioria dos 1.092 entrevistados sobre a gestão do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB).

A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 5 de outubro com pessoas com 16 anos ou mais na cidade de São Paulo. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

O percentual que teve a maior variação foi o de pessoas que aprovam a gestão de Doria, que era de 41% na pesquisa anterior, de junho deste ano, e agora está em 32%. Houve uma elevação de pessoas que rejeitam a sua administração: o percentual era de 22% e aumentou para 26% agora.  Outros 40% consideram que o governo de Doria é regular.

AVALIAÇÃO DA GESTÃO DORIA  

Infográfico: GME HUB - fonte: Datafolha 

Neste domingo, 09/10, Doria afirmou "Pesquisa é sempre uma referência. É importante respeitar pesquisa, e eu respeito". Ele complementou justificando o desempenho: "Estamos com nove meses de gestão à frente da Prefeitura de São Paulo, sem recurso, vocês sabem disso. Temos R$ 7,5 bilhões de déficit no orçamento que foi herança do PT, que nos deixou esse rombo".

A resposta do ex-prefeito, Fernando Haddad (PT), veio no esmo dia. Ele disse que o rombo mencionado pelo prefeito Doria, na verdade é, resultado de uma frustração de receita, causada pela crise econômica. Segundo o seu comunicado, o prefeito Doria tem responsabilidade pelo problema devido ao congelamento da tarifa de ônibus e ad planta genérica do município, que é a base de cálculo do IPTU.

Os problemas mais apontados pelos eleitores de Doria estão as constantes falhas nos semáforos da cidade, que classificaram o sistema é ruim ou péssimo.

Outro dado importante é que 64% acreditam que o prefeito fez menos do que poderia.

 

Disputa velada à Presidência

De acordo com a pesquisa, a percepção que Doria será candidato a presidente. Em junho, apenas 21% achavam isso, agora são 37% da população.

Apesar do aumento, a maioria de 58% prefere que ele permaneça na prefeitura de São Paulo. Apenas 10% dos entrevistados querem vê-lo na disputa presidencial. 15% aceitam Doria na disputa do governo paulista.

Mas segundo o Datafolha, 55% não votariam em Doria para ser presidente. Em eventual candidatura para governador, 47% não votariam nele.

Para 45% dos eleitores, o atual governador Geraldo Alckmin deveria ser o candidato do PSDB na disputa pela presidência e 31% preferem o prefeito Doria.

 

Sobre a disputa presidencial, Doria declarou: "Eu não me apresento como candidato à presidência da República, me apresento sempre como prefeito. Quem induz o meu nome são as pesquisas. Não saio apresentando meu nome, são as pesquisas que apresentam isso", disse.

 

Viagens

A pesquisa do Datafolha ainda revelou que para 49% dos entrevistados, as viagens de Doria pelo país trazem mais prejuízos do que benefícios à São Paulo. Somente 35% entendem que elas beneficiam a cidade e aprovam essa iniciativa do prefeito,

Para 77% dos entrevistados, Doria está se beneficiando pessoalmente com as viagens. Apenas 14% pensam que não há. 50% das pessoas ouvidas acha que o prefeito viaja mais do que devia e 40% acham que a frequência é adequada.

Doria sobre as viagens declarou: "[As viagens] são em benefícios da cidade. Mas nenhum beneficio é imediato, é instantâneo, não há mágica nisso".

 

A rixa com Goldman

O vice-presidente nacional do PSDB e ex-governador de São Paulo, Alberto Goldman, divulgou em seu site e nas redes sociais um vídeo no qual critica abertamente a gestão de Doria.

Segundo Goldman, "Nós não temos prefeito, temos um candidato a presidente da República."

 

Goldman em vídeo que critica e cobra de Doria. Foto (reprodução)

Um dos pontos que Goldman mais ataca é em relação às viagens que Doria tem feito pelo País e no exterior. O vídeo foi divulgado em 05/10, antes da pesquisa do Datafolha, e vai de encontro com o desejo da maioria dos entrevistados, que as viagens não são adequadas.

Para Goldman, o interesse de Doria está focado nas eleições presidenciais de 2018. Doria ainda não se declarou publicamente como pré-candidato do PSDB, mas já divulgou interesse na  disputa pela indicação o que deve ocorrer nas prévias do partido. A disputa será Alckmin.

Na sexta-feira, 06/10, o prefeito desembarcou em Belém, no Pará e retrucou o vídeo de Goldman, dizendo que teria um "bom recadinho" para o ex-governador e também tucano: "Esteja em paz".

Já no domingo, no evento no Parque Ibirapuera do Movimento Você e a Paz, Doria declarou "Hoje o meu recadinho, o meu bom recadinho, vai para você, Alberto Goldman". “improdutivo, fracassado", "viveu a vida inteira na sombra de Orestes Quércia e José Serra”, do qual foi vice entre 2007 e 2010, e finalizou dizendo que Goldman "vive em casa, de pijamas".

Doria não está em pacificado, mas ele vem tentando passar a imagem que está. Ele circulou com numa camisa branca na qual o verbete “paz” aparece em várias línguas (pax, peace, frieden, pace).