RECICLAR PARA NÃO CRIAR ELEFANTES

Rio 2016

A “arquitetura nômade” é um dos diferenciais para que os ginásios dos Jogos Olímpicos sejam utilizados pela população depois das competições até como escolas

De São Paulo - Uma das marcas pretendidas pela organização dos Jogos Olímpicos Rio 2016 é deixar uma herança bem diferente da que ficou das obras para a Copa de 2014. No projeto olímpico, que começou a ser desenvolvido para as arenas esportivas há sete anos, a preocupação central pelo menos no papel foi a de não criar “elefantes brancos” e reaproveitar ao máximo as instalações esportivas que até o início das disputas vão consumir investimentos de mais de R$ 7,1 bilhões.

Às vésperas das Olimpíadas, com praticamente todas as obras para as competições já prontas, o prognóstico de reciclagem e transformação das instalações em equipamentos de uso comunitário permanece vivo. “O mais inovador em nosso planejamento de obras, em comparação a outras Olimpíadas bem sucedidas, como a de Londres, será transformação de arenas desmontáveis – da chamada arquitetura nômade -- em escolas e ginásios esportivos comunitários”, observa o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Marcelo Pedroso. (veja entrevista completa no Estúdio GME) 

COMO SERÁ O REAPROVEITAMENTO

Estádio Aquático

Após os Jogos, o Estádio Aquático será desmontado e transformado em dois centros de natação, os dois com piscinas olímpicas (50 m), usando o conceito de “arquitetura nômade”. Um deles terá cobertura e arquibancada para 6 mil pessoas. O outro terá capacidade para 3 mil pessoas. Os locais que vão receber as instalações ainda não estão definidos.

Estádio Aquático desmontável será transformado em dois ginásios aquáticos em bairros da cidade
Estádio Aquático desmontável será transformado em dois ginásios aquáticos em bairros da cidade (Renato Sette Camara - Prefeitura do Rio)

Arena do Futuro (handebol)

A Arena do Futuro, que receberá as disputas masculinas e femininas de handebol, será desmontada e transformada em quatro escolas municipais em bairros carentes para 500 alunos cada uma. Para que a instalação esportiva seja transformada em prédios para finalidades tão distintas, todo o projeto foi desenvolvido para permitir o reaproveitamento das estruturas de forma integral. As rampas e escadas pré-moldadas serão usadas nos acessos e áreas de circulação das escolas e a estrutura do telhado terá vigas metálicas e telhas com tamanhos adaptáveis.

Arena do Futuro, que vai receber disputas de handebol. Depois do final dos jogos, vai se transformar em quatro escolas
Arena do Futuro, que vai receber disputas de handebol. Depois dos jogos, vai se transformar em quatro escolas. (Renato Sette Câmara - Prefeitura do Rio)

Arena Carioca 1

A maior das arenas da Rio 2016, com arquibancadas para 16 mil pessoas nos jogos de basquete e rúgbi em cadeira de rodas, será destinada ao esporte de alto rendimento e à promoção de eventos de diversos. Estará interligada à Arena 2, que também servirá a este fim, num conjunto de equipamentos para o treinamento de lutadores de boxe e taekwondo. Está prevista a construção de uma grande academia para a prática de musculação e exercícios de condicionamento físico. Parte das arquibancadas será desmontada e o ginásio ficará com 7,5 mil lugares depois dos jogos. O hall de entrada da arena será destinado a eventos, como shows e feiras.

Arena Carioca 2

O ginásio para as disputas de judô, luta greco-romana, luta livre e bocha paralímpica será destinado ao treinamento de atletas de alto rendimento após os Jogos. As arquibancadas para 10 mil pessoas serão desmontadas para receber instalações de treinamento para modalidades como judô, levantamento de peso, badminton, esgrima, ginástica rítmica, ginástica de trampolim e tênis de mesa. Está prevista para o edifício uma grande loja de material esportivo.

Arena Carioca 3

Durante os Jogos, receberá competições de esgrima, taekwondo e judô paralímpico. Ao final, se transformará num Ginásio Experimental Olímpico (GEO), escola voltada para o esporte, para 850 alunos em horário integral – será a maior unidade com essas características na cidade. O GEO terá 24 salas de aula. Serão oferecidas várias modalidades esportivas, entre elas judô, lutas, tênis de mesa, futsal, badminton, basquete, handebol, vôlei, natação e atletismo. Para se transformar numa escola esportiva, a arena, com capacidade para 10 mil pessoas, terá suas arquibancadas desmontáveis retiradas e passará por reforma.

Arenas Cariocas 1, 2 e 3: ao final das disputas, serão usadas como escolas esportivas e centros de treinamento
Arenas Cariocas 1, 2 e 3: ao final das disputas, serão usadas como escolas esportivas e centros de treinamento (Renato Sette Câmara - Prefeitura do Rio)

Velódromo

O ginásio do Velódromo, para 5 mil espectadores, terá depois dos Jogos múltipla utilização. A instalação, que foi a que mais atrasou, já considerada a melhor do país para o ciclismo, poderá receber os ciclistas de alto rendimento para treinamento e também abrigar turmas de projetos sociais de iniciação esportiva, além de competições internacionais e outros eventos. A parte central da pista receberá equipamentos para a prática de outras modalidades, como taekwondo, esgrima, boxe e levantamento de peso. A prefeitura prevê também a utilização como escola esportiva para 740 alunos por mês ligados a projetos sociais.

Centro de Tênis

O total de 16 quadras com arquibancadas durante os Jogos será reduzido a 10, logo depois dos Jogos. O centro será destinado tanto a tenistas de alto rendimento quanto como escola para jovens praticantes. E manterá capacidade para 10 mil pessoas em sua arena central, para receber grandes torneios.

Gustavo Kuerten testa ginásio de tênis: conjunto de dez quadras será utilizada como escola e centro de treinamento da modalidade
Gustavo Küerten testa ginásio de tênis: conjunto de dez quadras será utilizada como escola e centro de treinamento da modalidade (Ricardo Brajterman/Rio2016)

Pista de atletismo, quadras de vôlei de praia e alojamento

Segundo a prefeitura do Rio, pista de atletismo será um dos maiores legados esportivos dos Jogos para a cidade. Será construída após os Jogos e terá o tamanho oficial de 400 metros, ao lado da Arena Carioca 2, permitindo a prática de todas as provas de pista e de campo. Assim como outras instalações do Parque Olímpico, terá uso compartilhado por atletas de alto rendimento, alunos do GEO e integrantes de projetos sociais.

Entre a pista de atletismo e a Arena Rio será erguido um alojamento seguindo o conceito de “arquitetura nômade”. No caso do alojamento, ele surgirá a partir da estrutura das galerias técnicas do Centro Internacional de Transmissão (IBC, na sigla em inglês), que serão desmontadas após os Jogos Paralímpicos. O alojamento terá 116 quartos com dois leitos cada, refeitório, auditório, salas de fisioterapia e restaurante, para abrigar atletas.

No outro extremo da pista de atletismo, oposto ao do alojamento, serão criadas duas quadras de vôlei de praia, que também poderão ser usadas por jogadores profissionais e integrantes de projetos sociais.

Arena Rio 

Também utilizada nos Jogos Pan-Americanos de 2007, a Arena Rio tem sido usada como palco de shows, partidas de basquete e lutas de MMA. Em janeiro, foi inaugurado o Centro de Treinamento de Ginástica Artística, com 1.400 m², que é administrado pelo COB e permanecerá após os Jogos. Em 2016, a arena receberá as disputas olímpicas de ginástica artística, rítmica e de trampolim, e de basquete em cadeira de rodas.

Parque Radical de Deodoro

O Parque Radical vai oferecer opções variadas de recreação e prática esportiva – incluindo uma ciclovia – e será a segunda maior área de lazer da cidade, só atrás do Parque do Flamengo. O planejamento para o aproveitamento do parque, que nos Jogos receberá as competições de canoagem slalom, BMX e mountain bike, prevê fazer uso combinado do espaço para o público e os atletas de alto rendimento. O equipamento de canoagem slalom vai se tornar uma grande piscina. A pista olímpica de BMX permanecerá para os praticantes de bicicross. No terreno ao lado, serão instaladas quadras poliesportivas.