NUNCA TANTA GENTE VIU O BRASIL NA TV

Rio 2016

Sete entre dez habitantes do planeta assistirão imagens dos Jogos Olímpicos. A previsão é de 5 bilhões de telespectadores. Globo montou estúdio futurista no Parque Olímpico. Record e Band também vão fortes para o evento.

De São Paulo - Os argentinos adoram o hóquei na grama. Para os americanos, nada como basquete. O rúgbi é também coisa de americano, inglês, sul-africano, neozelandês e australiano, entre outros. Para os chineses, o “ping-pong” (é, eles não chamam de “tênis de mesa”) é atração irresistível. E quase todo mundo adora o futebol, além do interesse global em saber, a cada quatro anos, quem é o homem mais rápido correndo ou nadando e a ginasta mais elástica e graciosa no solo olímpico. A qualquer parte do planeta para onde se olha, haverá pelo menos um esporte que provoque muito interesse do público. Isso explica os números estratosféricos da audiência da televisão nos Jogos Olímpicos, que concentram a uma só vez 42 campeonatos em diferentes modalidades.

Para a Rio 2016, a projeção do Comitê Olímpico Internacional é de que 5 bilhões de pessoas assistam a pelo menos alguma competição durante os 17 dias de transmissões, cerca de 5% a mais do que os 4,8 bilhões que ligaram a TV para ver Londres em 2012.

Para o bem e para o mal, significa que de cada 10 seres humanos perambulando pela Terra, sete, em algum momento, vão olhar para o Rio de Janeiro e para o Brasil. Um número gigantesco e superior mesmo ao da Copa do Mundo de futebol. Segundo estimativas da Fifa, em 2014 a audiência somada de todos os jogos teria atingido em torno de 4 bilhões de pessoas, bem acima dos 3,2 bilhões da Copa da África, em 2010. O número da copa brasileira é ligeiramente menor do que o das Olimpíadas de Pequim, em 2008, com estimados 4,4 bilhões de espectadores.

Álvaro José: jornalista que já cobriu 9 olimpíadas, desde Moscou em 1980, será uma das atrações na Band
Álvaro José: jornalista que já cobriu 9 olimpíadas, desde Moscou em 1980, será uma das atrações na cobertura da Band (Foto: divulgação)

Segundo avaliações feitas pelo próprio COI, os números de audiência deram um grande salto entre Pequim e Londres graças à popularização rápida dos smartphones, que permitem assistir às disputas na palma da mão e em trânsito, algo que em 2008 ainda era inacessível à maioria das pessoas. A avaliação do impacto dos telefones inteligentes foi feita por Timo Lumme, responsável pelos direitos de transmissão e de marketing do COI, que considerou o alcance dos Jogos de Londres como “um verdadeiro marco” nas transmissões esportivas.

Mas a expectativa é de que o Rio quebre o recorde de quatro anos atrás. Um total de 20 mil profissionais, entre jornalistas e técnicos, estarão na cobertura brasileira, boa parte no IBC (Centro Internacional de Transmissões) e MPC (Centro Principal de Imprensa), dentro do Centro Olímpico da Rio 2016. No total, 85 emissoras televisionarão os Jogos. A rede americana NBC, que comprou do COI a exclusividade para os Estados Unidos dos Jogos de inverno e verão por US$ 7,7 bilhões até 2032, anunciou 3 mil funcionários nas operações da cobertura no Rio – incluindo as equipes de apresentação e técnicas que permanecerão nos Estados Unidos. No Brasil, a NBC alugou um edifício inteiro no Rio para abrigar os funcionários envolvidos nas transmissões, além da estrutura no IBC e MPC.

A previsão da gigante da comunicação norte-americana é alcançar um faturamento publicitário perto de US$ 1,5 bilhão (ao redor de R$ 5 bilhões pelo câmbio atual), superando em cerca de 10% o obtido em Londres principalmente porque vai contar, no Brasil, com um horário mais amigável para o telespectador americano. Isso vai permitir, segundo anunciou o diretor da cobertura da NBC, Jim Bell, ocupar com as Olimpíadas todo o horário nobre noturno -- o período mais comercial -- nos 17 dias de competições.

Prédios do centro de transmissões e de imprensa, o IBC e o MPC, que ficam no Parque Olímpico da Barra da Tijuca
Prédios do centro de transmissões e de imprensa, o IBC e o MPC, que ficam no Parque Olímpico da Barra da Tijuca (Foto: Rio2016)

Aqui no Brasil, as transmissões desta vez não terão exclusividade nas mãos de um único canal e serão feitas pelas redes Globo, Record e Bandeirantes, além dos canais de esportes ESPN e Fox Sports. A Globo prevê participação de 2 mil pessoas em sua cobertura – considerando TV aberta, por assinatura e sites do grupo --, com 160 horas no ar, das quais 110 horas de transmissões ao vivo no canal aberto, o que significará uma média de 6h30 por dia ao vivo no período de competições. Serão ainda 16 canais Sportv na TV por assinatura. Um estúdio futurista foi construído em meio ao Parque Olímpico da Barra da Tijuca e dali já é ancorada a maioria da cobertura, tanto da TV Globo quanto dos canais por assinatura.

A Record, que em 2012 teve exclusividade nos Jogos de Londres, fará também cobertura intensiva. Serão 135 horas no ar na TV Record e 200 horas na Record News -- o que significará ao canal de notícias uma grade quase que exclusivamente ocupada pela cobertura dos Jogos. O grupo prevê mobilizar em torno de 1000 profissionais na operação, 300 dos quais, nos locais de disputa. E, a exemplo das concorrentes, contratou ex-atletas como comentaristas, como o caso do ex-campeão mundial e medalha de ouro do vôlei, Ricardinho.

Ricardinho, medalha de ouro no vôlei em Atenas 2004 será um dos comentaristas na Record
Ricardinho, medalha de ouro no vôlei em Atenas 2004 será um dos comentaristas na Record (Foto: divulgação)

“Será uma experiência única e engrandecedora poder transmitir o maior evento do planeta desta vez disputado em solo brasileiro”, diz o vice-presidente de jornalismo da Record, Douglas Tavolaro. A emissora foi o principal canal de transmissões olímpicas do país nos últimos seis anos, desde a exclusividade obtida a partir dos Jogos de Inverno de Vancouver, em 2010, seguida pelos Pan-Americanos de Guadalajara, no ano seguinte, Londres em 2012, Sóchi, em 2014 e Pan-Americanos de Toronto, no ano passado. E o grupo pretende usar essa experiência como diferencial na Rio 2016.

A TV Bandeirantes, entre as grandes redes abertas, é a que promete ficar mais tempo no ar. Segundo o diretor geral de conteúdo Diego Guebel, serão 180 horas de transmissão nos 17 dias. “Abriremos as transmissões pela manhã e só encerraremos à noite”, prevê. Serão mais de 10 horas diárias só com os Jogos Olímpicos. A rede, que já usou o slogan “o canal do esporte” nos anos 90, anunciou que vai usar tecnologia de ponta, com câmeras com recursos de “ultra slow”, por exemplo, que vai proporcionar rever um lance em alta definição e movimentos extremamente lentos. Além da equipe de jornalistas esportivos, que incluirá o narrador Álvaro José, que soma a cobertura de 9 olimpíadas, desde Moscou, em 1980, chega agora à 10ª competição e é considerado um dos principais profissionais da cobertura olímpica brasileira, contará com ex-atletas convidados como Marcelo Negrão, também medalha de ouro no vôlei.

A ESPN Brasil anuncia cobertura com três estúdios no Rio de Janeiro e um time de 50 especialistas e ex-atletas Olímpicos para comentários e análises de todas as modalidades. A rede de canais esportivos vai contar ainda com material produzido pelos canais do grupo nos Estados Unidos e filiais latino-americanas, que terá no Rio um total de 500 profissionais. A Fox Sports prevê 300 profissionais para a cobertura em seus dois canais brasileiros e um estúdio de 400 metros quadrados para as transmissões intensivas.