OLIMPÍADAS PASSAM NO TESTE DA PRIMEIRA SEMANA

Rio 2016

Apesar de episódios de violência e problemas de estrutura, Rio causa boa impressão a visitantes, comércio ganha e sucesso da abertura ajudou no índice de aprovação, segundo pesquisa

(Foto: Rogério Frazão/Ag. Brasil)

 Há sete anos, Andreas Adriano não vinha ao Rio de Janeiro. A última visita do profissional de Relações Públicas, que mora em Washington, aconteceu meses antes de a cidade conquistar o direito de sediar as Olimpíadas de 2016.  Em uma semana, ele foi ao Maracanãzinho, ao Parque Olímpico e ao Boulevard Olímpico, na Zona Portuária, e não se decepcionou.

“Achei tudo dentro do esperado. Tirando uma coisa ou outra, não houve nada desabonador”, avalia Andreas. Ou seja, tudo certo, apesar de pequenos contratempos. O metrô para a Barra da Tijuca foi elogiado, assim como a simpatia dos voluntários. De ruim, a comida cara e muitas filas nos locais de competição. Nada que não tenha acontecido em outras cidades olímpicas. “Faltou copo comemorativo no jogo de vôlei, no Maracanãzinho, mas até aí, eu queria mesmo era a cerveja”, ri.

O bom humor de Andreas, no entanto, não tira seu senso crítico. Ele acredita que apesar do policiamento reforçado para os Jogos, o Rio de Janeiro não avançou muito no quesito segurança nos últimos sete anos. “Vejo muitos policiais nas ruas, mas não me sinto 100% à vontade para circular de noite em algumas áreas”, afirma.

Festa de abertura no Maracanã: apenas 6% de comentários negativos nas redes sociais, segundo pesquisa
Festa de abertura no Maracanã: apenas 6% de comentários negativos nas redes sociais, segundo pesquisa (Foto: Rio 2016)

A Secretaria de Segurança do Estado e o Ministério da Justiça não divulgaram balanços da segurança no Rio de Janeiro na primeira semana das Olimpíadas, mas a última quinta-feira foi marcada pela morte do soldado Hélio Vieira de Andrade, de Roraima, membro da Força Nacional de Segurança, baleado quando sua viatura entrou por engano e foi atacada por traficantes no Complexo da Maré.

Outro incidente marcante foi o ataque a um ônibus de jornalistas que deixava a Arena Carioca 1, depois de um jogo de basquete, rumo ao Centro de Mídia. O vidro de uma das janelas do veículo foi quebrado, e um jornalista ficou ferido. A perícia apontou que uma pedra teria sido atirada contra o ônibus. Além disso, um drone não autorizado sobrevoou o Maracanã durante a abertura dos Jogos. A segurança retirou o presidente francês François Hollande às pressas do estádio. O drone não foi localizado.

Se a segurança está longe da perfeição, o esquema de transporte surpreendeu positivamente. O trânsito na cidade está pesado, mas o caos prognosticado por muitos não aconteceu. Isso não quer dizer que não tenha havido problemas operacionais, como por exemplo, o fechamento da Estação Maracanã do Metrô nas madrugadas, atrapalhando a volta para casa dos torcedores que assistiam a seleção brasileira de vôlei no Maracanãzinho.

Apesar dos altos e baixos, a cidade comemora o movimento bem-vindo na economia. Os hotéis estão lotados, e a procura por meios de hospedagem alternativos foi grande. O site Airbnb anunciou que mais de 60 mil pessoas confirmaram hospedagem no Rio de Janeiro para as Olimpíadas.

Os visitantes também impulsionaram o comércio nos bairros turísticos. Patrícia Etchecoin, gerente de marketing da rede de lojas de suvenires Rio in Box, os Jogos são um sucesso. A expectativa de crescimento de vendas da rede para o evento, que era de 40% a 50%, está sendo cumprida. Há algumas semanas ela demonstrava otimismo, ao ser entrevistada pela Gazeta Mercantil Experience, mas admite que nos dias que antecederam a festa de abertura, sentiu um frio na barriga. “Tivemos um pouco de medo, porque o movimento estava meio fraco”, explica.

O início das competições, no entanto, afastou a apreensão. A maior parte das vendas da Rio in Box no período olímpico é de produtos licenciados com a marca dos Jogos. Patrícia conta que a rede abriu duas lojas de última hora na Barra da Tijuca, região que recebe a maior parte das competições, a convite do Comitê Organizador Rio 2016. “Até o trânsito, que a gente esperava que desse um nó, e atrapalhasse a logística de entrega dos produtos, está fluindo bem”, afirma.

Agora, Patrícia acredita que o movimento deve se manter até a semana do dia 21, imediatamente após o encerramento dos Jogos. “Os hotéis estão cheios, e muita gente deve ficar para conhecer melhor a cidade”, diz. Já as Paralimpíadas são uma incógnita. “Acreditamos que haverá algum movimento extra, porque a cidade ainda terá muito turista, mas não será algo tão forte quanto as Olimpíadas.”

No cômputo geral, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro têm sido aprovados por visitantes e pelos próprios cariocas. O monitoramento de redes sociais realizado pelo Instituto Data Script vem acompanhando 10 mil perfis brasileiros e estrangeiros nas redes nas últimas semanas e aponta uma aprovação superior a 65% em relação aos Jogos. A abertura foi o ponto alto até o momento, com pouco menos de 6% de comentários negativos.

“Das reclamações, 35% são relativas a itens como alimentação nas arenas e filas. E em relação ao transporte, o maior número de queixas diz respeito ao deslocamento para o Parque Olímpico de Deodoro”, explica Guto Graça, diretor do Data Script. “Entre os estrangeiros, surpreendentemente, a percepção é de que a cidade é segura.”

“Não tenho uma visão de Poliana, a cidade tem problemas, mas o fato é que os Jogos estão sendo bem aceitos”, continua Guto. Ele observa, no entanto, que apesar da aprovação ao evento, o carioca ainda está um pouco blasé em relação às Olimpíadas. “Acho que a população ainda não se deu conta da magnitude do evento, como se não entendesse bem o que estamos vivendo nesse momento. O pessoal parece que vai perguntar se vai ter Olimpíada no ano que vem”, conclui.