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A capital do turismo nacional se diz preparada para tratar bem os visitantes nesta temporada, apesar da crise das finanças do estado e da recessão brasileira. E aposta em dólar alto, visibilidade olímpica, oferta hoteleira maior e preços menores para se encher de gente.

Do Rio - A dez dias de um dos principais eventos da cidade, o Réveillon, o setor de turismo do Rio de Janeiro espera com ansiedade o ano de 2017. A capacidade hoteleira carioca subiu de 28 mil para 60 mil quartos e a cidade teve uma visibilidade gigantesca em nível global com a realização dos Jogos Olímpicos. A expectativa é para saber como a indústria do turismo vai se comportar em um ano de incerteza na economia – e de problemas financeiros no estado e na prefeitura. 

“Com o aumento de oferta, manter a ocupação dos hotéis é um desafio muito maior”, avalia Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira de Hotéis no Rio de Janeiro (ABIH). Só a Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, teve sua capacidade hoteleira triplicada para 15 mil quartos. Ainda assim, Lopes acredita que o Réveillon deste ano pode alcançar o mesmo patamar de ocupação de 2015, de 95%. “O que seria um grande resultado com o aumento no número de quartos disponíveis.” 

A presidente da seção Rio da Associação Brasileira das Agências de Viagem, Cristina Carnaval, por sua vez, observa que o aumento da oferta de hotéis ajuda a conter as tarifas e dar mais competitividade aos preços de hospedagem no Rio de Janeiro. “Isso é importante, porque o Brasil é um destino turístico distante”, observa, referindo-se ao ponto de vista dos viajantes dos principais centros econômicos, como Estados Unidos, Europa, Japão e China. Segundo dados do portal de turismo Trip Advisor, entre 2014 (ano da Copa) e o final de 2016, os preços de diárias no Rio aumentaram 6%, contra inflação acumulada de 21% no período.

Alfredo Lopes, presidente da Associação dos Hotéis: aumento da oferta hoteleira, depois das Olimpíadas, tende a reduzir preços na temporada
Alfredo Lopes, presidente da Associação dos Hotéis: aumento da oferta hoteleira, depois das Olimpíadas, tende a reduzir preços na temporada (Foto: divulgação ABIH)

Cristina diz ainda ter esperança de que o Turismo no Rio de Janeiro possa usufruir um pouco do legado olímpico. Para ela, a isenção de vistos de entrada para turistas dos Estados Unidos, Japão, Austrália e Canadá foi uma decisão acertada. “Tivemos uma grande presença de visitantes desses países durante as Olimpíadas”, afirma. 

O secretário de estado de Turismo do Rio de Janeiro, Nilo Sérgio Félix, aponta que o setor vem se empenhando em campanhas para manter a demanda turística em alta no período pós-olímpico. “O surgimento de novos espaços gastronômicos, culturais e de lazer também influenciam e agregam para um cenário favorável do aumento de visitantes para os próximos anos”, avalia. 

Lopes, da ABIH, acrescenta que as Olimpíadas foram uma excelente vitrine para o Rio de Janeiro, que precisa aproveitar esse impulso. “A mobilidade urbana teve melhorias importantes, ganhamos novos equipamentos, como o Museu do Amanhã, o AquaRio e o Parque Olímpico; e provamos ter capacidade para receber qualquer megaevento no Rio de Janeiro”, enumera. 

Um dos fatores que alimentam o otimismo do setor é a alta do dólar este ano, o que torna o Brasil mais barato para os turistas estrangeiros em geral. “A recessão pode frear um pouco o turismo interno, mas parte dos brasileiros que viajaria para o exterior acaba optando por destinos domésticos, e grande parte desse fluxo vem para o Rio”, argumenta Lopes.

Cristina Carnaval observa que o número de viagens de brasileiros para o exterior caiu 15%. “Precisamos movimentar os 200 milhões de brasileiros para visitar o próprio país”, diz. “Em turismo, se a oferta aumenta, a demanda cresce.” 

O secretário de Turismo, Nilo Sérgio Felix: aumento da oferta gastronômica e reforço na segurança, para garantir tranquilidade ao turista
O secretário de Turismo, Nilo Sérgio Felix: aumento da oferta gastronômica e reforço na segurança, para garantir tranquilidade ao turista (Foto: divulgação)

Ainda assim, o fator insegurança e a crise financeira aguda do estado podem representar um freio no potencial turístico do Rio de Janeiro. “Felizmente, estamos entrando no período de alta temporada, e ganhamos mais tempo para nos preparar para enfrentar o cenário de incerteza na economia”, avalia Lopes. Já Cristina se preocupa com a repercussão de incidentes como a morte de um turista italiano, que viajava pela América do Sul de moto, no bairro de Santa Tereza, no início de dezembro. “É o tipo de notícia que aparece na mídia do mundo inteiro e que provoca cancelamento de viagens”, lamenta. 

Nilo Sérgio admite que as imagens de violência são muito negativas, mas destaca algumas iniciativas importantes na área de segurança pública. “Temos uma relação muito próxima com as Polícias Militar e Civil, por meio do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas e a Delegacia Especial de Atendimento ao Turista”, diz, “Além disso, ações como o Segurança Presente, que contam com o apoio financeiro da iniciativa privada, têm apresentado uma resposta significativa no aumento da segurança em regiões como a Lapa, a Lagoa e o Aterro”. 

O secretário de Turismo do Estado também aponta o segmento de eventos como um dos trunfos para manter o turismo do Rio em alta nos próximos anos. Segundo o secretário, o Rio Convention & Visitors Bureau prevê a realização de 67 eventos entre 2017 e 2020. “Estima-se que esses eventos tragam 302 mil congressistas, que deixarão uma receita de US$ 415 milhões para o Rio”, explica Nilo Sérgio. “Sem falar que teremos grandes eventos como o Rock in Rio.” 

O secretário de Turismo também aposta na sinergia com os demais destinos dentro do estado para impulsionar o setor. “O turismo que mais cresce no mundo é o de curta distância”, argumenta Nilo Sérgio. Um dos programas da Secretaria é o Rio+3, voltado para promover destinos que estão a três horas da capital. “Viagens curtas tendem a ser mais atrativas sobre o ponto de vista de preço. No feriado da Proclamação da República, por exemplo, tivemos uma ocupação de 85% nos destinos praianos como Armação dos Búzios e Angra dos Reis.” 

A indústria do Turismo no Rio de Janeiro também aguarda com ansiedade a posse do novo prefeito, Marcelo Crivella. “Em nossos encontros, temos destacado para ele a importância do setor para a geração de emprego e a necessidade de tornar a cidade mais segura”, conta Cristina. A presidente da Abav-RJ, no entanto, gostaria que a transição de governo fosse mais acelerada. “Ainda não conhecemos o nome do novo presidente da Riotur, e nem sabemos se haverá uma Secretaria Municipal de Turismo”, argumenta. “E já estamos às portas do Carnaval, que é o principal evento turístico da cidade”, conclui.